SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (30) que o enfermeiro Alex Pretti, 37, que foi morto a tiros por agentes federais de imigração em Minneapolis, era "agitador e, talvez, insurgente".

"A reputação de Alex Pretti caiu drasticamente com o vídeo recentemente divulgado em que ele aparece gritando e cuspindo no rosto de um agente do ICE que estava calmo e sob controle", afirmou o republicano em um post na rede Truth Social. O presidente disse ainda que o episódio foi "uma grande demonstração de abuso e raiva, para todos verem", acrescentando que Pretti estava "maluco e fora de controle".

Trump se refere a um vídeo do enfermeiro sendo abordado e derrubado por agentes federais 11 dias antes de ser morto em outra ação das autoridades em Minneapolis. As imagens foram divulgadas pelo site The News Movement e não mostram, diferentemente do que diz o presidente americano, um agente federal sendo atingido por um cuspe na cara.

O vídeo retrata um homem usando roupas semelhantes às de Pretti quando ele foi morto, xingando policiais que descem de um SUV e vão em direção a ele. A BBC Verify, setor da rede britânica dedicado a checagens, confirmou a identificação de Pretti com uma ferramenta de reconhecimento facial.

As imagens mostram Pretti chutando a parte de trás do veículo, quebrando a lanterna, e fazendo um gesto com o corpo e boca em que parece cuspir, mas não é possível verificar se é de fato um cuspe e se atinge o rosto do agente.

Pretti depois tenta fugir, mas é segurado por um dos agentes, que o puxa e o joga no chão. Outros agentes circundam a ação e impedem pessoas que gritam e filmam de chegar perto. Mais homens do ICE se juntam à tentativa de conter o enfermeiro, mas Pretti consegue escapar.

Em seguida, é possível novamente ver Pretti caminhando em direção aos agentes, que deixam o local lançando bombas de gás lacrimogêneo. O enfermeiro carrega uma arma no cinto, na parte de trás de seu corpo -ele tinha direito ao porte, de acordo com autoridades locais. Em nenhum momento do novo vídeo ele tenta utilizar a arma.

O morador de Minneapolis foi morto durante abordagem semelhante de agentes federais do CBP, a agência de proteção de fronteiras, na mesma cidade. Na ocasião, ele foi empurrado, atingido com spray de pimenta nos olhos e, aparentemente contido no chão, acabou morto com dez disparos efetados por dois agentes.

Um relatório preliminar do órgão corregedor do CBP, que faz a vigilância de pontos legais de acesso aos EUA, contradisse a versão oficial do governo Trump para a morte de Pretti.

Inicialmente, integrantes da Casa Branca se apressaram em chamar o enfermeiro de "terrorista doméstico" que "queria massacrar" agentes federais, muito embora as evidências em vídeos gravados por testemunhas mostrem que Pretti não empunhava a arma que possuía.

Na noite de domingo (25), pressionado por críticas às ações e por democratas que ameaçavam não aprovar o orçamento federal e, portanto, provocar uma nova paralisação do governo, Trump disse que o governo estava "revisando tudo".

A mudança de tom veio após alertas de aliados e, segundo o jornal The Wall Street Journal, a percepção de Trump de que as mortes e ações caóticas das autoridades federais em Minneapolis passavam uma imagem de fraqueza do governo.