SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que não tomou nenhuma decisão definitiva sobre o Irã durante sua reunião com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, nesta quarta-feira (11) na Casa Branca. Trump recebeu o premiê em meio ao aumento de tensões com o país persa e dias depois de Tel Aviv aumentar os próprios poderes na Cisjordânia ocupada.

"Foi uma excelente reunião, e a tremenda relação entre nossos dois países continua", escreveu Trump na sua rede social, a Truth Social. "Não chegamos a nada definitivo, mas insisti que negociações com o Irã continuem para sabermos se um acordo pode ser concluído", afirmou, em relação ao programa nuclear iraniano.

"Da última vez, o Irã decidiu que era melhor não fazer um acordo, e foram atingidos pela operação Martelo da Meia-Noite", prosseguiu Trump, em referência ao ataque americano contra instalações nucleares iranianas em fevereiro de 2025. "Espero que dessa vez eles sejam mais razoáveis e responsáveis."

Por fim, o americano disse ter discutido com Netanyahu próximas ações na Faixa de Gaza, onde existe um frágil cessar-fogo ?apesar de ataques frequentes de Israel contra o território. "Há, verdadeiramente, PAZ no Oriente Médio", concluiu Trump no comunicado.

Os EUA tem um porta-aviões estacionado nas proximidades do Irã, e Trump ameaçou enviar outro nesta terça (10). Washington vem montando um cerco militar ao redor do país persa, mas o republicano manda sinais trocados sobre o que pretende fazer. Após sugerir que poderia intervir para ajudar os manifestantes que protestavam contra o regime iraniano, Trump disse que Teerã havia cancelado execuções públicas e não agiu contra o país.

Porém, mesmo com os protestos arrefecendo e com a retórica voltada ao seu desejo de anexar a Groenlândia, o presidente continuou enviando ativos militares para a região e retirando tropas de bases militares que poderiam ser alvo de uma retaliação iraniana. As movimentações levaram analistas militares a especular que um ataque americano era iminente.

Agora, Trump voltou a falar em chegar a um acordo com o Irã ?apesar dos protestos de Israel. "O regime iraniano provou repetidamente que não cumpre suas promessas. Não é possível confiar nele", disse Netanyahu no último dia 3 após reunião com Steve Witkoff, enviado de Trump para o Oriente Médio.

O presidente dos EUA disse na terça que o Irã seria "muito tolo" se optasse por não chegar a um acordo sobre seu programa nuclear. Na segunda (9), o chefe da agência de energia atômica iraniana disse que o país poderia diluir seu estoque de urânio altamente enriquecido ?necessário para a fabricação de uma bomba? em troca da suspensão de algumas sanções econômicas.

Mas o país se recusa a abrir mão da capacidade de enriquecer o material físsil, uma das principais exigências americanas. Usinas nucleares convencionais utilizam urânio com até 5% de enriquecimento, enquanto armas atômicas requerem pureza de mais de 90%. O Irã tem estoques do material com cerca de 60% de enriquecimento, de acordo com a IAEA (Agência Internacional de Energia Atômica), órgão da ONU.

Em rodadas anteriores de negociação, levantou-se a hipótese de que o Irã poderia abrir mão do enriquecimento, que seria realizado em países terceiros, com o urânio sendo importado ao país persa para uso civil. Até aqui, Teerã rejeita a ideia, citando preocupações de soberania.

No comunicado após a reunião, Trump não fez menção às novas medidas anunciadas pelo governo de Israel contra a Cisjordânia, território palestino ocupado.