WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O Conselho da Paz criado por Donald Trump apresentou nesta quinta-feira (19) um plano de reconstrução da Faixa de Gaza que prevê arranha-céus à beira-mar, ferrovias, portos, aeroporto e exploração de gás natural no território palestino.
O conselho, criado pelo presidente dos Estados Unidos, anunciou na reunião um investimento inicial de US$ 7 bilhões (cerca de R$ 37 bilhões) para ajudar na recuperação de Gaza, devastada por bombardeios de Israel durante dois anos de guerra contra o grupo terrorista Hamas.
O valor, entretanto, corresponde a 10% dos US$ 70 bilhões que seriam necessários para reconstruir o território ao longo de décadas, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), dos quais US$ 20 bilhões precisariam ser gastos nos primeiros três anos para estabilizar a grave crise humanitária pela qual passam os palestinos de Gaza.
O plano detalhado em Washington mostra que, em Gaza, 85% dos prédios e construções foram destruídos. Em outubro de 2025, as Nações Unidas disseram que o conflito gerou cerca de 55 milhões de toneladas de entulho, uma quantidade de escombros equivalente a 13 vezes o volume das pirâmides de Gizé.
O projeto apresentado na quinta, que não mencionou tempo ou custo de cada uma das fases, prevê que a curto prazo sejam removidos escombros e munições não explodidas, além de restabelecimento das cadeias de suprimento, fornecimento de água, saneamento e energia.
Na sequência, virá a construção de habitação permanente, hospitais, clínicas, escolas e universidades. Por fim, a longo prazo, é esperada a construção de arranha-céus à beira-mar, com infraestrutura de transporte, exploração de recursos energéticos e desenvolvimento urbano avançado.
O empreendedor imobiliário americano Marc Rowan, indicado por Trump a uma cadeira no conselho, detalhou que, em um primeiro momento, serão construídas 100 mil casas e, a longo prazo, 400 mil, número que comportaria toda a população da região. O valor total das construções das residências seria de US$ 30 bilhões.
Não foram anunciadas datas ou previsões para isso. "O potencial é gigantesco, mas precisa começar em algum lugar. O começo é em Rafah, onde vai ser o primeiro local onde a segurança vai ser estabelecida", disse Rowan, que afirmou que "não há um problema financeiro, há um problema de paz".
Ele afirmou ainda que a região é valiosa do ponto de vista imobiliário e vale o investimento. "Só a costa vale US$ 50 bilhões, as residências mais de US$ 30 bilhões, a infraestrutura US$ 30 bilhões", disse o bilionário.
A ideia de arranha-céus na região já tinha sido apresentada no Fórum Econômico de Davos, na Suíça, em janeiro. No evento, slides mostravam dezenas de prédios na costa do Meditarrêneo e conjuntos habitacionais na área de Rafah.
No ano passado, Trump já tinha ventilado a ideia de usar a região de Gaza para construções luxuosas. Em fevereiro, ele sugeriu que a área deveria ser despovoada para ser reconstruída como uma espécie de resort ao gosto de suas propriedades na Flórida e no Mediterrâneo.
Ele afirmou na ocasião que os Estados Unidos deveriam liderar o esforço, tomando para si o território e até enviando tropas. Na prática, o Conselho da Paz concretiza essa ideia, uma vez que o comitê tecnocrático palestino que governará Gaza está sob supervisão e controle de Trump.
Além dos prédios luxuosos, foi anunciada também a implementação de internet de alta-velocidade para toda a população até julho deste ano com o objetivo de possibilitar pagamento com carteira digital, o que seria uma forma de retomar o comércio em Gaza.
De acordo com o comitê palestino apoiado pelos EUA, foram abertas as inscrições para uma força policial em Gaza, que deverá suplantar o controle armado que os terroristas do Hamas hoje detém no território. O comitê afirmou que cerca de 2.000 palestinos se inscreveram para a força policial nas primeiras horas após o anúncio.
Em publicação no X, o Comitê Nacional para a Administração de Gaza afirma que um processo de recrutamento "está aberto a homens e mulheres qualificados que desejam servir na força policial".
O comunicado inclui um link para um site onde palestinos podem se candidatar. Os candidatos devem ser residentes de Gaza com idade entre 18 e 35 anos, não ter antecedentes criminais e estar em boa forma física.