SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após a morte de um megatraficante do México desencadear uma onda de violência, ao menos 10 dos 32 estados do país suspenderam as aulas presenciais nesta segunda-feira (23). O Poder Judiciário também anunciou que os juízes podem manter os tribunais fechados se considerarem necessário.
O governo dos Estados Unidos emitiu um alerta para que seus cidadãos no país vizinho não saíssem de casa. Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como "El Mencho", era o líder de um dos cartéis mais poderosos do México, o Jalisco Nova Geração. Ele foi morto na operação após ser ferido em um confronto com militares.
No estado de de Jalisco, onde seu grupo criminoso foi fundado e está sediado, o clima é de tensão após a população presenciar cenas de caos. O local fica a cerca de 550 km da Cidade do México, onde as escolas abriram normalmente.
Além de Jalisco, as classes foram interrompidas em outros nove estados: Nayarit, Michoacán, Querétaro, Guanajuato, Colima, Veracruz, Oaxaca, Baja California (onde fica Tijuana, na fronteira com os EUA) e Hidalgo.
Em reação à operação militar, membros do cartel iniciaram uma onda de violência. Homens armados bloquearam diversas vias no país com carros e caminhões incendiados. Na tarde de domingo (22), restos de veículos carbonizados e outros ainda em chamas podiam ser vistos em várias rodovias.
A capital de Jalisco, Guadalajara, ficou paralisada após um pedido do governo para que os moradores procurassem abrigo. O aeroporto passou a ser fortemente vigiado após cenas de pânico durante a manhã. Guadalajara é uma das cidades-sede da Copa do Mundo da Fifa deste ano ?o torneio também é sediado pelos EUA e pelo Canadá.
Os estabelecimentos comerciais fecharam as portas. Nas ruas, apenas as sirenes dos carros dos bombeiros eram ouvidas, enquanto os serviços de emergência trabalhavam para controlar os incêndios provocados por supostos membros do cartel.
"Chegaram alguns homens armados, que disseram para sairmos. Nós obedecemos. Eles tinham um carro com as portas abertas. Pensei que iam nos sequestrar, corri para a frente, até uma barraca de tacos, e me abriguei com eles", disse à AFP María Medina, que trabalha em uma loja de conveniência que foi incendiada por criminosos em Guadalajara.
O governo de Jalisco suspendeu o transporte público em algumas áreas e alertou hotéis para instruírem seus hóspedes a permanecerem dentro dos estabelecimentos. Os bloqueios e incêndios de lojas também se estenderam ao balneário turístico de Puerto Vallarta. Viajantes perderam os voos de volta a seus países devido às dificuldades para chegar aos aeroportos ?não havia táxi nem carros por aplicativo até o terminal da cidade.
O caos também chegou ao estado vizinho de Michoacán e aos estados de Puebla (centro), Sinaloa (noroeste), Guanajuato (centro) e Guerrero (sul), entre outros.
Partidas de futebol do Campeonato Mexicano masculino e feminino e da segunda divisão foram suspensas, e companhias aéreas do Canadá e dos Estados Unidos cancelaram dezenas de voos para o México.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, pediu à população que mantivesse a calma. "Existe absoluta coordenação com os governos de todos os estados", disse ela na rede social X.
O grupo criminoso comandado por Oseguera se tornou nos últimos anos uma das principais organizações de tráfico do México, enfrentando rivais em vários estados enquanto transportava drogas sintéticas, incluindo cocaína, metanfetamina e, nos últimos anos, fentanil para os EUA.
Sua morte é um golpe significativo para o grupo e pode desencadear tanto disputas internas de poder quanto mais violência, à medida que facções competem pelo controle. A operação teve apoio de inteligência do governo de Donald Trump, que vinha ameaçando realizar ataques no país.