SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu um processo nesta terça-feira (24) contra a UCLA (Universidade da Califórnia), acusando a instituição de promover um "ambiente de trabalho hostil e antissemita".
Segundo comunicado do órgão, a Divisão de Direitos Civis concluiu que, durante 2024, a instituição sediada em Los Angeles "permitiu que o assédio antissemita continuasse desenfreado". O departamento afirma que a universidade "ignorou e continua a ignorar" ações direcionadas a funcionários judeus e israelenses, desde o início da guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas, na Faixa de Gaza.
"Judeus foram proibidos de acessar partes do pátio principal, professores judeus foram agredidos e suásticas foram pichadas em prédios da universidade", afirma o texto.
A secretária de Justiça dos EUA, Pam Bondi, disse que, com base na investigação do departamento, "administradores da UCLA supostamente permitiram que o antissemitismo virulento florescesse no campus, prejudicando alunos e funcionários". A instituição ainda não se pronunciou sobre as acusações.
O processo ocorre na esteira de uma investida do presidente Donald Trump contra universidades de elite do país, incluindo Harvard, a mais antiga e rica dos EUA. O republicano congelou verbas federais por questões que incluem atos pró-palestinos, iniciativas climáticas, políticas transgênero e práticas de diversidade, equidade e inclusão.
Desde o início de 2025, o governo cancelou centenas de bolsas concedidas a pesquisadores de Harvard sob o argumento de que a universidade não fez o suficiente para combater o assédio a estudantes judeus em seu campus, o que levou Harvard a entrar com um processo judicial.
No ano passado, Harvard fez demissões e cortes de gastos devido à campanha de Trump para usar o financiamento federal como alavanca para forçar mudanças nas universidades -que o presidente acusa de estarem dominadas por ideologias antissemitas e de ultraesquerda.
Em julho do ano passado, Harvard afirmou que o impacto em seu orçamento poderia se aproximar de US$ 1 bilhão anualmente. A universidade processou o governo por algumas dessas ações, levando um juiz a decidir que o Executivo havia encerrado de forma ilegal mais de US$ 2 bilhões em bolsas de pesquisa concedidas a Harvard.
A Casa Branca chegou a acordos com as universidades Columbia e Brown, nos quais ambas concordaram com certas exigências do governo.