SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A guarda costeira de Cuba matou nesta quarta-feira (25) quatro pessoas e feriu outras seis depois que uma lancha registrada nos Estados Unidos invadiu águas territoriais cubanas e abriu fogo contra os militares, segundo o Ministério do Interior do regime.
De acordo com a pasta, os guardas costeiros foram recebidos com tiros quando abordaram a embarcação. O capitão do barco cubano foi atingido e retirado do local para tratamento, assim como os seis ocupantes da lancha americana que ficaram feridos no tiroteio.
O ministério não divulgou informações sobre a identidade dos mortos e feridos, a não ser para dizer que são estrangeiros, nem sobre o que o barco registrado na Flórida fazia em águas territoriais cubanas.
De acordo com o regime, a lancha invadiu o território do país na manhã desta quarta a uma milha náutica (pouco menos de 2 km) de Cayo Falcones, na província de Villa Clara.
"Face os desafios que enfrenta, Cuba reafirma seu comprometimento em proteger seu território, baseado no princípio de defesa nacional como pilar fundamental da soberania do Estado cubano", disse o Ministério do Interior em nota.
O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, disse que Washington responderá proporcionalmente ao ocorrido assim que tiver todas as informações sobre os mortos, incluindo sua nacionalidade. "Vale lembrar que é muito incomum ver tiroteios assim em alto-mar", afirmou o secretário de Estado.
"Não vamos basear nossas decisões no que os cubanos nos disserem, vamos conduzir nossa própria investigação", disse Rubio. O diplomata, que tem ascendência cubana, negou que os mortos fizessem parte de uma operação militar americana.
O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, afirmou ter ordenado a abertura de uma investigação em conjunto com outros órgãos estaduais e federais. "O governo cubano não é confiável e faremos tudo ao nosso alcance para responsabilizar esses comunistas", disse.
A relação entre os EUA de Donald Trump e Cuba passa por uma das maiores tensões dos últimos anos depois que a captura do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, por parte de forças americanas interrompeu a entrega de petróleo à ilha comunista.
Com isso, e uma intensificação no embargo de Washington contra Havana, o país vive uma grave escassez de combustíveis, com impactos diretos na população. Os cubanos vivem hoje longos apagões e veem o lixo se acumular nas ruas e o transporte público se tornar cada vez mais limitado.
Estima-se que Cuba produza menos da metade do petróleo de que necessita, ficando o restante por conta de aliados. Até o começo do ano, a Venezuela era o principal, seguida de México e Rússia, mesmo após uma queda nos envios em 2023.
Mas sem Caracas, que está impedida pelos EUA de comercializar com Cuba após a intervenção, a ilha é palco de apagões que chegam a 20 horas diárias em algumas regiões. A crise se dá em um contexto que já era de escassez generalizada de remédios, instabilidade econômica e êxodo massivo.
Nesta quarta, o Departamento do Tesouro americano disse que empresas dos EUA podem revender petróleo venezuelano a Cuba -desde que ele seja destinado a empresas privadas.