SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Os Estados Unidos prenderam um ex-piloto da Força Aérea norte-americana acusado de conspiração por treinar pilotos militares da China.

Gerald Eddie Brown Jr. foi preso ontem no estado de Indiana. Ele foi formalmente denunciado por fornecer serviços de defesa a militares chineses. A informação foi divulgada pelo Departamento de Justiça dos EUA (DOJ, na sigla em inglês).

Ex-oficial de elite da Força Aérea dos EUA, Brown vai responder por conspiração contra o próprio país. De acordo com o DOJ, ele violou a Lei de Controle de Exportação de Armas ao fornecer seus serviços para a China.

Serviços prestados por ele à China são "ilegais", diz a denúncia. "Quando cidadãos norte-americanos -sejam militares ou civis- fornecem treinamento a uma força militar estrangeira, essa atividade é ilegal, a menos que tenham uma licença do Departamento de Estado. A Divisão de Segurança Nacional usará toas as ferramentas à sua disposição para proteger nossas vantagens e responsabilizar aqueles que violarem nossas leis", afirmou o procurador John Eisenberg.

Brown integrou a elite da aviação americana por 24 anos. Ele, que possui experiência em sistemas e aeronaves com capacidade de transportar armas nucleares, se aposentou em 1996 com a patente de major. Posteriormente, também atuou como instrutor de pilotos novatos dos EUA.

Ex-piloto treinava militares chineses pelo menos desde 2023, segundo a denúncia. Sua função era ensinar pilotos do Exército de Libertação Popular da China. Brown se mudou para a China no final de 2023 e retornou aos EUA neste ano, quando foi detido.

Ele também teria repassado informações confidenciais da Força Aérea dos EUA. "A suposta traição de Brown expôs táticas militares sensíveis, ameaçando a segurança do nosso país, de nossas Forças Armadas e de nossos aliados", disse James Barnacle, diretor-assistente encarregado do FBI.

Brown não é o primeiro piloto americano acusado de treinar pilotos chineses. Em 2017, o ex-piloto Daniel Duggan foi condenado pelo mesmo tipo de serviço, mas nega as acusações. Duggan alega que as autoridades norte-americanas sabiam de suas atividades como instrutor e que ele apenas treinava civis. No caso de Brown, não há, até o momento, nenhuma declaração público de sua defesa.