WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Uma aluna foi detida por agentes federais do DHS (Departamento de Segurança Interna), no início da manhã desta quinta-feira (26), dentro da Universidade de Columbia, em Nova York. A informação foi confirmada pela presidente interina Claire Shipman, que encaminhou um e-mail para a universidade relatando o ocorrido.
De acordo com Shipman, os policiais teriam entrado no prédio da universidade apresentando uma justificativa falsa de que estavam atrás de uma pessoa desaparecida. "Estamos trabalhando para obter mais informações sobre o caso", afirmou a presidente.
A presidente não informou a identidade da estudante. Porém, o jornal estudantil, o Columbia Spectator, afirmou que a aluna de pós-graduação em neurociência postou nas redes sociais que foi presa . Na imagem, ela parece estar dentro de um carro. "DHS me prendeu ilegalmente. Por favor, me ajudem", diz o post.
Não é a primeira vez que acontece uma prisão relacionada a uma pessoa da universidade. Em março do ano passado, Mahmoud Khalil, ex-aluno da Universidade Columbia e de origem palestina, foi preso por autoridades imigratórias.
Ele liderou protestos pró-palestina dentro da universidade e foi acusado de manter "manifestações violentas". O caso se tornou um dos mais emblemáticos da repressão a manifestações pró-Palestina nos EUA, intensificada sob o governo de Donald Trump, e é criticado por grupos que atuam com direitos humanos e que o descrevem como um ataque à liberdade de expressão e ao devido processo legal.
Khalil tinha residência permanente no momento de sua prisão, o que levou milhares de pessoas a assinar uma petição pedindo sua libertação. Ele ficou mais de cem dias preso.
No e-mail do caso mais recente, a presidente afirmou que a Universidade está fornecendo suporte jurídico à estudante. A prisão ocorreu um dia após um protesto realizado por alunos chamado "ICE off Campus" (ICE fora do campus), em que pediam por maiores proteções de estudantes internacionais e que Columbia se declare um campus santuário ?ou seja, que a universidade se declare um refúgio seguro para estudantes internacionais e imigrantes, oferecendo proteção contra ações de imigração federais.
Ainda no e-mail à comunidade da universidade, a presidente orienta aos alunos que todos os os agentes devem ter um mandado judicial ou intimação judicial para acessar áreas não públicas da Universidade, incluindo residências estudantis, salas de aula e áreas que exigem acesso com cartão. Um mandado administrativo não é suficiente, diz ela.
"Caso agentes busquem acesso a áreas não públicas da Universidade, peça que aguardem antes de entrar em qualquer área não pública até que a Segurança Pública seja contatada", diz ela. "A Segurança Pública entrará em contato com o Escritório do Conselheiro Geral para coordenar a resposta da Universidade. Não permita que eles entrem nem aceite a entrega de mandado ou intimação."
A prisão acontece em um contexto em que o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, atua para limitar a ação do ICE, polícia de imigração, na cidade. Há duas semanas, ele assinou uma ordem executiva em que determina que os agentes não podem entrar em propriedades sem mandados judiciais.
"Isso significa nosssas escolas, abrigos e hospitais. Significa também que vamos proteger os dados dos nova-iorquinos contra acessos ilegais por parte do governo federal", disse ele.