WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Uma aluna da Universidade Columbia, em Nova York, foi detida pelo ICE, polícia de imigraçãodos Estados Unidos, no início da manhã desta quinta-feira (26), dentro do campus. A informação foi confirmada pela reitora interina Claire Shipman, que emitiu um comunicado interno relatando o ocorrido.

Horas depois, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, afirmou que ligou para o presidente dos EUA, Donald Trump. Segundo o democrata, a estudante Elmina Aghayeva seria liberada em breve.

Pouco depois, a estudande obteve liberdade e publicou nas redes sociais. "Sou grata por cada um de vocês. Acabei de ser libertada. Estou a salvo e bem", disse, acrescentando que precisa de um tempo. "Sinto muito, mas estou um pouco chocada com tudo que aconteceu. Por favor, não se preocupem."

A reitora de Columbia afirmou que os policiais teriam entrado no prédio da universidade apresentando uma justificativa falsa de que estavam atrás de uma pessoa desaparecida.

Pouco depois de ser detida, Aghayeva publicou uma foto em que parecia estar dentro de um carro. "DHS me prendeu ilegalmente. Por favor, me ajudem", escreveu.

À imprensa americana um porta-voz do ICE, a polícia de imigração dos EUA, referiu-se a Aghayeva como "uma imigrante ilegal do Azerbaijão, cujo visto de estudante foi cancelado em 2016, durante o governo Obama, por não frequentar as aulas". Ainda segundo a nota da agência, "o gerente do prédio e a colega de apartamento permitiram que os agentes entrassem no imóvel" e Aghayeva "não tem recursos ou solicitações pendentes junto ao DHS".

Não é a primeira vez que acontece uma prisão relacionada a uma pessoa da universidade. Em março do ano passado, Mahmoud Khalil, ex-aluno da Universidade Columbia e de origem palestina, foi preso por autoridades imigratórias. Ele liderou protestos pró-Palestina dentro da universidade e foi acusado de manter "manifestações violentas".

O caso se tornou um dos mais emblemáticos da repressão a manifestações pró-Palestina nos EUA, intensificada sob o governo Trump, e foi descrito por grupos de direitos humanos como um ataque à liberdade de expressão e ao devido processo legal.

Khalil tinha residência permanente no momento de sua prisão, o que levou milhares de pessoas a assinar uma petição pedindo sua libertação. Ele ficou mais de cem dias preso.

No email do caso mais recente, a reitora afirmou que a Universidade está fornecendo suporte jurídico à estudante. A prisão ocorreu um dia após um protesto realizado por alunos chamado "ICE off Campus" (ICE fora do campus). Durante o ato contra a polícia de imigração, os manifestantes pediam proteção para estudantes estrangeiros e que Columbia se declare um campus-santuário ?ou seja, que a universidade se declare um refúgio seguro para imigrantes.

Ainda no comunicado interno, a reitora informou aos alunos que todos os agentes devem ter um mandado judicial ou intimação judicial para acessar áreas não públicas da universidade, incluindo residências estudantis, salas de aula e áreas que exigem acesso com cartão. Um mandado administrativo não é suficiente, escreveu Shipman.

"Caso agentes busquem acesso a áreas não públicas da Universidade, peça que aguardem antes de entrar em qualquer área não pública até que a Segurança Pública seja contatada", diz o comunicado. "A Segurança Pública entrará em contato com o Escritório do Conselheiro Geral para coordenar a resposta da Universidade. Não permita que eles entrem nem aceite a entrega de mandado ou intimação."

A prisão acontece em um contexto em que o prefeito de Nova York atua para limitar a ação do ICE na cidade. Há duas semanas, ele assinou um decreto em que determina que os agentes não podem entrar em propriedades sem mandados judiciais. "Isso significa nosssas escolas, abrigos e hospitais. Significa também que vamos proteger os dados dos nova-iorquinos contra acessos ilegais por parte do governo federal", disse Mamdani.