SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O CPJ (Comitê para a Proteção dos Jornalistas) divulgou nesta quarta-feira (25) um relatório em que detalha o uso crescente de drones em ataques contra profissionais de imprensa. A ONG contabilizou 39 ocorrências do tipo ao longo de 2025, sendo a maior parte delas (28) atribuídas ao Exército de Israel na Faixa de Gaza, e outras cinco, às Forças de Apoio Rápido, grupo paramilitar em conflito no Sudão.

Em 2025, segundo o relatório, um número recorde de 129 jornalistas e profissionais de mídia morreu no exercício de suas funções. Destes, dois terços foram mortos pelas forças de Israel, segundo o CPJ, organização independente com sede em Nova York que documenta ataques à imprensa.

Um comunicado das forças israelenses afirmou que "rejeita veementemente" as afirmações apresentadas no relatório do CPJ. "As IDF [Forças de Defesa de Israel] não ferem intencionalmente jornalistas ou seus familiares", declarou. "O relatório se baseia em acusações genéricas, dados de origem desconhecida e conclusões predeterminadas, sem considerar a complexidade do combate ou os esforços das IDF para mitigar danos a não combatentes."

Este foi o segundo ano consecutivo em que o número de jornalistas mortos bateu recorde e o segundo ano consecutivo em que o governo de Israel foi responsável por dois terços deles, ainda de acordo com o CPJ.

Ataques atribuídos a Israel mataram 86 jornalistas em 2025, segundo o levantamento. A maioria das mortes é de palestinos na Faixa de Gaza, mas também houve 31 óbitos em um ataque a um centro de mídia houthi no Iêmen, o segundo incidente mais letal já registrado pelo CPJ.

O governo de Israel admitiu ter atacado o centro de mídia no Iêmen em setembro, descrevendo-o na época como um braço de propaganda dos houthis, grupo rebelde apoiado pelo Irã e que controla parte do país, incluindo a capital, Sanaa.

Israel também foi responsável por 81% dos 47 assassinatos que o CPJ classificou de direcionados intencionalmente, ou "assassinatos". O relatório afirma que "os militares israelenses cometeram mais assassinatos seletivos de jornalistas do que qualquer outro exército governamental na história" ?observando que a ONG começou a coletar dados há mais de três décadas. A organização afirmou que o número real provavelmente é maior, mas que não foi possível confirmá-lo devido às restrições de acesso a Gaza.

Em diversos casos, Tel Aviv admitiu ter atacado jornalistas em Gaza que, segundo o país, tinham ligações com o grupo terrorista Hamas, embora sem apresentar provas verificáveis. Organizações internacionais de notícias negaram veementemente que seus repórteres mortos tivessem ligações com terrorismo. O CPJ considera tais afirmações de Israel "difamações mortíferas".

Segundo o levantamento, ao menos 104 dos 129 jornalistas mortos durante o exercício da profissão em 2025 estiveram em conexão com conflitos. Gaza e Iêmen são os pontos mais letais, seguidos pelo Sudão, onde nove foram mortos, e o México, onde seis morreram. Quatro jornalistas ucranianos foram mortos por forças russas ?também em ataques de drones, segundo o CPJ? e três morreram nas Filipinas.

A embaixada da Rússia em Washington não respondeu ao relatório do CPJ, mas remeteu à agência de notícias Reuters declarações anteriores do Ministério das Relações Exteriores acusando Kiev de responsabilidade pelas mortes de mais de 60 pessoas que trabalhavam na mídia russa desde 2014. A Rússia nega ter jornalistas como alvos deliberados, e a Ucrânia diz o mesmo sobre profissionais de imprensa russos.