SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O alto comissário das Nações Unidas para Direitos Humanos, o austríaco Volker Türk, disse em comunicado oficial nesta quinta-feira (26) que Israel está consolidando a anexação da Cisjordânia e tem o objetivo de "alterar de forma permanente" a demografia do território palestino -e que as ações levantam preocupações sobre limpeza étnica.

No discurso perante a 61ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça, Türk criticou de forma veemente as novas medidas do governo Binyamin Netanyahu que ampliam o controle israelense sobre o território palestino.

No último dia 8, o gabinete de segurança de Israel facilitou a compra de terras na região por colonos judeus e criou novas hipóteses sob as quais militares podem fiscalizar áreas sob controle da Autoridade Palestina. Também passou a administrar diretamente alguns locais religiosos.

Segundo o ministro da Defesa, Israel Katz, as novas medidas têm o objetivo de criar segurança jurídica para os cidadãos israelenses vivendo na Cisjordânia. Já o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, disse que o anúncio pretendia enterrar a ideia de um Estado palestino.

Smotrich e outros extremistas israelenses dizem que a Cisjordânia, que chamam de Judéia e Samaria, é parte indissociável da terra bíblica de Israel, e que, portanto, deve ser povoada com o maior número de judeus e o menor número de árabes possível. O território é considerado pela comunidade internacional como o centro para um futuro Estado palestino, que teria capital em Jerusalém Oriental.

A Cisjordânia é ocupada militarmente por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e os palestinos que vivem ali estão sujeitos à lei militar israelense em alguns casos. Como os colonos judeus no local, por sua vez, estão sujeitos à lei civil, organizações como a Anistia Internacional acusam Tel Aviv de operar um regime de apartheid na região.

Segundo Türk, Israel matou 1.020 palestinos na Cisjordânia desde 7 de outubro de 2023, quando o ataque terrorista do Hamas deu início ao conflito atual, paralisado pelo cessar-fogo de outubro de 2025. O Alto Comissariado também registrou 32 mil palestinos expulsos de suas casas por militares israelenses ou colonos judeus em 2025 no território.

O comissário disse ainda que Tel Aviv "demonstra desrespeito total pelos direitos humanos" ao continuar atacando prédios residenciais e campos de refugiados na Faixa de Gaza, dizendo que Israel matou pelo menos 600 palestinos desde o início do cessar-fogo. Por fim, denunciou "tortura e maus-tratos generalizados" de palestinos em prisões israelenses, dizendo que 89 morreram em cadeias de Israel desde 7 de outubro de 2023.

Na sua fala, Türk disse ainda que o Hamas e outros grupos palestinos cometeram crimes de guerra e violações de direitos humanos ao manter reféns e matar palestinos de facções rivais. "Os reféns foram vítimas de violência sexual e de gênero, tortura e espancamentos" por parte dos terroristas, disse o alto funcionário da ONU.