.WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O governo dos Estados Unidos nomeou Darren Beattie para o cargo de Conselheiro Sênior de Política para o Brasil. A informação foi publicada pela agência de notícias Reuters e confirmada pela Folha de S.Paulo por um alto funcionário do Departamento de Estado.
Antes de Beattie, não havia ninguém nesta posição. Ainda de acordo com este funcionário, o nomeado trabalha com assuntos educacionais e culturais, onde continua a "promover a agenda de política externa America First", e preside o recém-renomeado Instituto Donald J. Trump para a Paz.
Segundo interlocutor que conhece Beattie, ele já ocupa o cargo há cerca de dois meses. O conselheiro é alinhado com pautas da direita e, no ano passado, publicou nas redes sociais criticas ao ministro Alexandre de Moraes (Supremo Tribunal Federal).
"O ministro Moraes é o coração pulsante do complexo de perseguição e censura contra Jair Bolsonaro, o que, por sua vez, tem restringido a liberdade de expressão nos EUA. Graças à liderança do presidente Trump e do secretário [Marco] Rubio, estamos atentos e tomando as devidas providências", disse Beattie, citando o chefe da diplomacia americana.
O novo conselheiro já se encontrou com brasileiros de direita, como o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e o influenciador Paulo Figueiredo no ano passado.
Depois, o comentário foi publicado também nas redes sociais da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Poucos dias depois, o Departamento do Tesouro americano impôs punições financeiras ao ministro, aplicadas por meio da Lei Magnitsky. A sanção foi retirada no fim do ano passado.
A nomeação de Beattie acontece em meio a um momento de certa melhora da relação entre os Estados Unidos. Trump já afirmou que gosta de Lula. O presidente brasileiro, por sua vez, disse que deve viajar aos Estados Unidos e, apesar de ainda não ter uma agenda fechada, a expectativa é que o encontro aconteça em março.
A ideia, segundo Lula, é que o encontro seja marcado por discussões acerca de questões relacionadas a segurança, como o combate ao crime organizado. Segundo interlocutores, esta seria uma agenda que o Palácio do Planalto encontra como forma de debater um assunto em comum com o presidente americano, apesar de os dois líderes terem ideais ideológicos opostos.