JODHPUR, ÍNDIA, E WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Os Estados Unidos e Israel voltaram a bombardear o Irã neste sábado (28), após semanas de preparação dos EUA e de Tel Aviv para uma ação militar contra a República Islâmica. A ação eleva drasticamente a tensão na região, com potencial para jogar o Oriente Médio novamente em mais um incerto período de violência.
Pela rede social Truth Social, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou a operação por meio de um vídeo gravado de oito minutos. "Há pouco, os militares dos Estados Unidos iniciaram grandes operações de combate no Irã. O nosso objetivo é defender o povo americano eliminando ameaças do regime iranianos. Um grupo vicioso de pessoas terríveis", disse o republicano, que afirmou que a Guarda Revolucionária do Irã deve se render e prometeu imunidade total. "Ou, vão enfrentar certas mortes."
"Suas atividades ameaçadoras colocam em perigo direto os Estados Unidos, nossas tropas e nossas bases no exterior e nossos aliados pelo mundo. Por 47 anos, o regime iraniano entoa morte à América e travou uma campanha interminável de derramamento de sangue e assassinato em massa", disse Trump.
O presidente afirmou que os Estados Unidos podem ter "baixas" com a operação. "Mas, estamos fazendo isso não apenas por agora, mas pelo futuro". De acordo com o The New York Times, Trump tinha sido alertado que tropas americanas poderiam ser mortas ou feridas em uma guerra com o Irã. O republicano ainda pediu para o povo iraniano assumir o controle do governo após a conclusão da ação militar.
"Esta será provavelmente a única chance de vocês por gerações", disse. "Durante muitos anos, vocês pediram a ajuda da América, mas nunca a receberam. Nenhum presidente esteve disposto a fazer o que eu estou disposto a fazer esta noite. Agora vocês têm um presidente que está lhes dando o que querem, então vamos ver como respondem."
Já o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, afirmou que o ataque "criará as condições para que o corajoso povo iraniano tome seu destino em suas próprias mãos".
Em comunicado, Bibi afirmou que Israel e EUA lançaram uma operação para "eliminar a ameaça existencial representada pelo regime terrorista no Irã". "Chegou a hora de todos os setores do povo no Irã... se livrarem do jugo da tirania e trazerem um Irã livre e amante da paz", disse.
O ministro de Defesa de Israel também comentou sobre o ataque. "O Estado de Israel lançou um ataque preventivo contra o Irã para eliminar ameaças ao Estado de Israel", declarou o ministro da Defesa, Israel Katz.
Em Israel, sirenes alertaram a população para buscar bunkers, segundo relatos de israelenses à Folha .
Explosões foram ouvidas no leste e no oeste de Teerã, segundo a mídia iraniana. A agência Tasnim publicou imagens de uma densa fumaça na capital do país, e o aeroporto Mehrabad teria sido atingido. O espaço aéreo do país, de acordo com a Tasnim, também foi fechado.
Também à Reuters, uma autoridade do regime iraniano afirmou que o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, não está na capital e foi transportado a uma localização segura.
Washington e Teerã retomaram negociações em fevereiro relativas ao programa nuclear iraniano. Israel, o mais importante aliado americano, insiste que qualquer acordo dos EUA com o Irã deveria incluir o desmantelamento da infraestrutura nuclear da República Islâmica, e não apenas a interrupção do processo de enriquecimento ?algo que o Irã rejeita.
Em meio as negociações, Teerã afirmou que estava preparado para discutir limitações em seu programa nuclear em troca do levantamento das sanções, mas descartou vincular a questão aos mísseis.
No início do mês, Khamenei prometeu forte reação a eventual ataque. "Os americanos devem saber que se iniciarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional", disse, na ocasião, aplaudido por apoiadores que gritavam "morte à América".
"Quando vocês os ouvem falar de guerra, dizendo coisas como ?vamos chegar com este avião ou aquele avião e fazer isto ou aquilo?, isso não é novidade. Os americanos já nos ameaçaram repetidas vezes no passado, dizendo que ?todas as opções estão sobre a mesa?, o que inclui a opção da guerra", continuou o aiatolá.
A embaixada dos EUA no Qatar informa que está implementando um regime de confinamento para todos os funcionários. Nas redes, é recomendado que os americanos encontrem um local seguro dentro de sua residência ou em algum prédio seguro, tenha estoque de alimentos, água, medicamentos e outros itens essenciais.
"Evite manifestações, mantenha um perfil discreto e fique atento ao que acontece ao seu redor. Acompanhe as notícias locais para ficar por dentro das últimas novidades. Esteja preparado para ajustar seus planos. Mantenha o celular carregado e mantenha contato com familiares e amigos para informá-los sobre sua situação", diz a embaixada.
Reza Pahlavi, príncipe herdeiro do Irã que se posiciona como alternativa para país, afirmou que a ajuda esperada dos EUA chegou. "Trata-se de uma intervenção humanitária e seu alvo é a República Islâmica, seu aparato de repressão e sua máquina de matar, não o grande país e nação Irã", disse ele, também pelas redes sociais.
ATAQUE NÃO TEVE AUTORIZAÇÃO DO CONGRESSO, DISSE DEPUTADO
De acordo com a Constituição dos EUA, o Congresso dos EUA precisa aprovar a ida para guerra, o que não aconteceu, segundo o deputado republicano Thomas Massie.
Na véspera do ataque, o senador democrata Jack Reed, membro do Comitê de Serviços Armados do Senado, afirmou que entrar em guerra com o Irã pode ser um erro estratégico e pediu para que o governo Trump seja transparente
Afirma que entrar em guerra com o Irã pode ser um erro estratégico e está pedindo ao governo Trump que seja franco com o povo americano sobre os reais riscos e custos de uma ação militar dos Estados Unidos. Também afirmou que o presidente não apresentou ao Congresso e nem à população um argumento claro sobre o que viria em seguida.
"Se a guerra é desnecessária, deve ser evitada. O discurso beligerante do presidente Trump em direção a uma guerra com o Irã está levando o país por um caminho perigoso, sem uma estratégia clara ou objetivo final, e colocando a segurança nacional dos Estados Unidos em risco considerável", afirmou Reed.