SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As Forças Armadas de Israel não confirmam se o aiatolá Ali Khamenei foi um dos alvos dos ataques contra o Irã neste sábado (1), mas dizem que "altas autoridades envolvidas nos planos para destruir Israel" foram alvejadas, segundo um porta-voz.

Em entrevista coletiva, o porta-voz foi indagado se um dos alvos dos ataques era Khamenei, como relataram veículos da imprensa israelense, e afirmou que "grande parte da liderança do Irã está envolvida em promover ataques contra Israel e promover a destruição de Israel, e pessoas envolvidas no plano de destruir Israel podem ser alvos".

Segundo o funcionário israelense, em comparação aos ataques de Israel e EUA contra o Irã em junho do ano passado, a operação atual tem como objetivo "uma mudança maior". Na ocasião, foram alvejadas instalações nucleares iranianas.

"Na operação Linha Ascendente, conseguimos detê-los no limiar, impedindo que avançassem para um ponto perigoso demais. Agora, estamos operando para fazer uma mudança maior, que dure anos, para impedi-los de levar adiante seus planos. Estamos mirando suas capacidades militares, suas capacidades terroristas e os grupos aliados", disse, em referência ao Hezbollah no Líbano, o Hamas em Gaza e os houthis no Iêmen.

O porta-voz disse que os iranianos gastaram entre US$ 700 e US$ 900 milhões (R$ 4,6 bilhões) no último ano com grupos aliados, a maior parte indo para o Hezbollah. "Enquanto as pessoas no Irã não têm o que beber, eles estão enviando dinheiro para seus aliados pelo Oriente Médio para garantir que mantenham a chama acesa do plano de de destruir o Estado de Israel."

As forças israelenses argumentaram que o ataque era necessário pois o Irã estava aumentando rapidamente se estoque de mísseis. "Nossa inteligência identificou uma aceleração acentuada no programa de produção de mísseis do Irã, eles estão desenvolvendo dezenas de mísseis balísticos por mês e o ritmo de produção está cada vez mais rápido, chegando a milhares nos próximos anos."

Segundo os militares, a segunda motivação para a ofensiva é o programa nuclear iraniano. "Esse regime perigoso está operando e agindo para ocultar e fortalecer seu programa nuclear para que possam voltar a avançá-lo, para que possam seguir em frente com ele novamente."

Não há indícios claros de que os iranianos tenham ou estejam próximos de ter armas nucleares, embora tenham enriquecido urânio a um nível acima do necessário para usos civis nos últimos anos.

As Forças Armadas informaram que Israel vai convocar 70 mil reservistas para defesa aérea e de fronteiras. Segundo o porta-voz, houve "dezenas" de ataques iranianos contra Israel nas últimas horas, mas nenhum dano significativo.

O funcionário israelense celebrou a colaboração entre Estados Unidos e Israel nos ataques. "Temos um nível de coordenação e cooperação sem precedentes. Duas nações lutando juntas contra um regime terrorista, lutando contra a principal força desestabilizadora da região."