SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na visão do governo brasileiro, o ataque dos Estados Unidos contra o Irã acaba com qualquer resquício de legitimidade do Conselho de Paz criado pelo presidente americano Donald Trump. O conselho foi lançado por Trump com os objetivos declarados de promover a paz na Faixa de Gaza e resolver outros conflitos do mundo.
O Brasil foi convidado para integrar o conselho, mas, a exemplo de países como a França e Alemanha, resiste. A percepção é de que o órgão será instrumentalizado por Trump para enfraquecer ainda mais a Organização das Nações Unidas (ONU) e o sistema multilateral.
Autoridades do Planalto preparam um briefing para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre os ataques de Israel e EUA contra o Irã. Funcionários do governo estão em contato com a embaixada brasileira no Irã para obter informações em primeira mão sobre a situação no país e sobre brasileiros residentes em solo iraniano.
Lula receberá o relatório por telefone ou por texto, uma vez que passa o dia em agenda em Minas Gerais, onde mais de 60 pessoas morreram em enchentes.
No dia em que os EUA capturaram o ditador venezuelano Nicolás Maduro, em 3 janeiro, houve dois briefings presenciais.
O Itamaraty deve emitir nota ao longo do dia condenando os ataques contra o Irã. É princípio diplomático brasileiro condenar ataques unilaterais contra qualquer país quando realizados sem autorização do Conselho de Segurança da ONU.
Na visão do governo brasileiro, a ofensiva contra o regime também enterra qualquer chance de Trump ganhar o prêmio Nobel da Paz.
O Planalto ainda avalia a situação, mas acredita que as repercussões dos ataques serão bem maiores do que as dos bombardeios americanos contra o Irã em junho do ano passado. Naquela ocasião, os alvos se restringiam a instalações nucleares do país.
Agora, os objetivos são o estoque de mísseis, instalações nucleares e lideranças do país persa. Brasil teme que ataques não sejam "cirúrgicos" como no passado e que crise se espalhe para outros países da região.