SÃO PAULO, SP, E NOVA DÉLI, ÍNDIA (FOLHAPRESS) - A previsível retaliação do Irã aos ataques promovidos pelos Estados Unidos e por Israel neste sábado (28) era esperada no Estado judeu, mas pegou de surpresa as usualmente pacatas capitais dos Estados aliados de Washington no golfo Pérsico e arredores.

Foram alvejados sete países em que os EUA ou têm bases militares, ou usam instalações locais eventualmente ou permanentemente. Foram atingidos os Emirados Árabes Unidos, único ponto com uma morte confirmada, Qatar, Bahrein, Kuwait, Iraque, Arábia Saudita e Jordânia.

Em alguns pontos, os alvos eram as instalações militares, mas houve várias ações afetando civis. No Kuwait, o aeroporto internacional foi atingido e fechado, com alguns feridos. Em Bahrein, diversos prédios da capital Manama foram incendiados, deixando moradores machucados.

Em Dubai, meca turística que tem registrado aumento de procura por brasileiros a passeio ou negócios, a progressão das ondas de ataques com drones e mísseis iranianos assustou moradores e visitantes.

A cidade fica a 115 km da base de Al-Dahfra, que fica em Abu Dhabi, emirado vizinho. A instalação militar é utilizada com frequência por americanos, o que a tornou alvo, mas tudo indica que os iranianos buscaram um impacto mais espetacular na moral local.

Ao menos um drone ou míssil atingiu a frente do hotel Fairmont em Palm Jumeirah, um dos ícones da arquitetura de gosto duvidoso da cidade com seu conjunto de ilhas artificiais em formato de palmeira no estreito de Hormuz.

"As janelas tremeram", contou o consultor brasileiro Pedro Fittipaldi, morador da cidade. Ele relatou um clima de normalidade de início, mas a tensão passou a subir com as sucessivas ondas de ataques, com interceptações ocorrendo sobre o mar de arranha-céus de Dubai.

Vídeos mostravam drones do tipo Shahed-136, que ganhou infame reputação com sua versão russa na Guerra da Ucrânia, caindo perto do Burj Khalifa, o maior prédio do mundo, com 828 metros de altura. Colunas de fumaça circundaram o edifício.

A disrupção afetou o aeroporto local, importante centro de ligação de entre hemisférios, que foi fechado. Na região, como um todo, dezenas de empresas aéreas cancelaram voos. "Demos sorte. Os pais da minha mulher vieram do Rio ontem", disse Fittipaldi.

Em Abu Dhabi, Larissa Alves, 28, moradora do local há cerca de um ano, diz que os primeiros estrondos começaram por volta das 12h do horário local (5h em Brasília).

"O primeiro estrondo foi bem alto. Estranhamos, mas ignoramos pensando que pudessem ser fogos de artifício de celebrações. Então ouvimos o segundo, o terceiro, o quarto. O estrondo é tão alto que treme a janela", afirma ela, relatando que era possível ver os rastros dos projéteis e da interceptação no céu.

Ela conta que depois das primeiras interceptações, alertas em árabe e em inglês do governo surgiram nas telas dos celulares pedindo que a população buscasse lugares seguros, não saíssem de casa e evitassem ficar perto de janelas.

Alves diz que o marido encontrou grandes filas ao sair para comprar comida e abastecer o carro para o caso de precisarem ficar um período prolongado em casa.

Newsletter Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo *** "Quando viemos para cá, viemos sabendo que Abu Dhabi é a cidade mais segura do mundo, com uma sensação de segurança, sem a menor preocupação. Desde junho do ano passado, com a guerra dos 12 dias entre Israel e Irã, a gente tem sentido medo", afirmou Alves.

Diversos países emitiram alertas para que seus cidadãos deixem a região e também alertando contra viagens para o Oriente Médio, caso do Brasil.