SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, em um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel neste sábado (29) provocou protestos dentro e fora do país. Até agora, há nove mortos, tentativas de invasão de embaixadas americanas e um prédio da ONU (Organização das Nações Unidas) incendiado.

Milhares de pessoas foram às ruas em diferentes cidades iranianas após o anúncio da morte. Em Teerã, centenas se reuniram na praça Enghelab, exibindo bandeiras iranianas e retratos de Khamenei e entoando palavras de ordem contra Washington e Tel Aviv.

Na cidade de Qom, manifestantes se concentraram no santuário de Hazrat Masume para denunciar o ataque. Em Mashhad, um dos principais centros religiosos do país, uma bandeira preta foi hasteada sobre a cúpula do santuário do imame Reza, em um gesto simbólico de luto.

A televisão estatal confirmou na madrugada de domingo (1º) que Khamenei morreu nos bombardeios e afirmou que o líder da Revolução Islâmica "alcançou o martírio". O governo decretou luto nacional de 40 dias, feriado oficial de uma semana e anunciou um conselho interino até a escolha do sucessor.

Os protestos ainda se espalharam por países com forte presença xiita e por capitais europeias.

Em Karachi, no Paquistão, manifestantes tentaram invadir o consulado dos EUA. Após romperem a camada externa de segurança, militares americanos abriram fogo. Pelo menos nove pessoas morreram e 34 ficaram feridas, segundo autoridades locais. A polícia disparou gás lacrimogêneo, e um veículo foi incendiado diante do complexo diplomático.

Em Skardu, na Caximira paquistanesa, manifestantes incendiaram um prédio da ONU. Não houve registro de vítimas no local.

Em Bagdá, no Iraque, forças de segurança dispersaram com gás e bombas de efeito moral centenas de manifestantes que se dirigiam à Zona Verde, onde fica a embaixada americana.

Na Grécia, mais de mil pessoas marcharam até as embaixadas dos EUA e de Israel em Atenas, com faixas contra a operação militar e contra a base naval de Souda, em Creta, considerada estratégica para Washington no Mediterrâneo.

Em Moscou, capital russa, pessoas colocaram flores e cartazes em frente à embaixada iraniana no país.

Também houve atos em Beirute, no Líbano, em Sanaã, no Iêmen, em Ancara e Istambul, na Turquia, e em Srinagar, na Caxemira administrada pela Índia. Em Karachi e Lahore, no Paquistão, autoridades pediram calma diante do risco de escalada.