BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS) - Alemanha, França e Reino Unido padronizaram suas respostas sobre o conflito no Oriente Médio no sábado (28). Estão lá os alertas feitos ao Irã sobre seu programa nuclear, o direito da população do país escolher o seu futuro e o comprometimento com a segurança de Israel. "Estou desapontado", escreveu no X Lindsey Graham, senador republicano linha-dura, interlocutor frequente dos europeus no Congresso americano.
Ainda que o protocolo mínimo de aliados tenha sido cumprido, a reação contida das maiores potências europeias foi notada por quem está acostumado com outro tipo de relação transatlântica. "É muito triste ver as democracias ocidentais perderem sua paixão pela justiça e seu senso do certo e do errado à medida que os eventos ocorrem cada vez mais longe de suas costas", disse Graham.
Defensor do intervencionismo, o senador da Carolina do Sul provavelmente esperava uma reação mais engajada, como as das invasões americanas ao Iraque, em 2003 e 2004, baseadas na falsa assunção das armas de destruição em massa. O Reino Unido, que correu à época para divulgar sua participação na ofensiva, desta vez foi enfático ao dizer que não tinha envolvimento no ataque.
As primeiras reações, em geral, traziam a palavra "contenção" embutida na mensagem. Kaja Kallas, chefe da diplomacia da União Europeia, chamou a atenção para a situação "perigosa" na região. Ursula von der Leyen e António Costa, presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, pediram "máxima contenção". Presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola alertou que os ataques não deveriam levar a uma "espiral de escaladas no Oriente Médio".
Nada próximo de Pedro Sánchez, primeiro-ministro espanhol, que rejeitou "a ação militar unilateral de EUA e Israel". Para o socialista, com posição próxima a de líderes como Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping, o ataque "contribui para uma ordem internacional mais incerta e hostil".
A média das manifestações, no entanto, reflete o tenso momento das relações entre Europa e EUA. Há algumas semanas, a invasão que se discutia não era a do Irã, mas da Groenlândia, território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca. Não são situações comparáveis, a não ser pelo fato de Donald Trump ser um aliado pouco confiável.
O dilema entre apoio explícito, antes automático, e o apelo à contenção já havia ocorrido na captura do ditador Nicolás Maduro, em plena Caracas, em janeiro. Nos dois casos, Friedrich Merz, o primeiro-ministro alemão, evitou entrar em considerações sobre direito internacional, que em qualquer grau não sustentam as ações americanas. Indagado sobre essa questão, Johann Wadephul, ministro das Relações Exteriores, declarou à TV alemã que "isso terá que ser avaliado quando todas as informações estiverem disponíveis.
O discurso do premiê britânico, Keir Starmer, não foi muito diferente. Apesar de alguns adjetivos contra o brutal regime iraniano, o Reino Unido pediu a Teerã "uma solução negociada", enquanto caças do país participavam de ações "exclusivamente defensivas" no Oriente Médio para preservar tropas e equipamentos.
No ápice da crise provocada pelas ameaças à Groenlândia, somadas à novela das tarifas e a posição ambígua de Trump em relação à invasão russa da Ucrânia, Von der Leyen declarou em Davos que "a velha ordem" mundial tinha acabado. Agora é Graham que reclama da "queda da Europa ocidental".
"Vocês, coletivamente, estão errados ao se recusarem a ajudar o povo iraniano. Para piorar a situação, sugerem que devemos continuar a negociar com nazistas religiosos."
A nova crise, em uma Europa farta delas, provocou reuniões de emergência em Bruxelas neste domingo (1°). Os encontros preparam terreno para um Colégio de Segurança, convocado por Von der Leyen nesta segunda-feira (2). O formato, relativamente novo, reúne especialistas e líderes em busca de deliberações mais imediatas.
Segurança aérea e doméstica na UE, mercado de energia, os posicionamentos de Rússia e China, há muito o que discutir. Nada, porém, que passe perto do cheque em branco que o congressista americano e a Casa Branca esperam da Europa.