SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em seu terceiro dia, a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã cresceu em escopo e violência nesta segunda-feira (2).
Além dos intensos bombardeios contra a teocracia e as retaliações no Oriente Médio, o Hezbollah libanês entrou no conflito ao lado de seus patronos de Teerã, o Qatar derrubou de forma inédita aviões iranianos, os EUA perderam caças para fogo amigo no Kuwait e a Europa se viu envolvida com ataques a Chipre.
O presidente Donald Trump adotou um tom triunfalista após a ação ter matado o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e boa parte da cúpula militar do país. Disse que o pior ainda está por vir para Teerã, que segue mirando seu programa nuclear e de mísseis, e previu até cinco semanas de guerra ?mais se for preciso.
LÍBANO E ISRAEL
Na madrugada da segunda, o Hezbollah quebrou de vez o cessar-fogo que mantinha desde 2024 com Israel e atacou o norte do Estado judeu, que reagiu com um amplo bombardeio em todo o território libanês, que deixou ao menos 52 mortos. Foram atacadas posições do grupo xiita, inclusive agências de um banco ligado a ele.
Tel Aviv enviou reforços para o norte, mas por ora descarta uma nova invasão do sul do vizinho, que ocupou mais recentemente em conflito com o Hezbollah, que apoiava outro aliado do Irã, o grupo terrorista palestino Hamas, na esteira do atentado de 7 de outubro de 2023.
O ministro Israel Katz (Defesa) disse que a nova ação do Hezbollah, que está severamente enfraquecido pelo conflito anterior, fez seu líder, Naim Qassem, "marcado para ser eliminado". Já o porta-voz militar Effie Defrin disse que a guerra contra os rivais "vai durar o quanto tiver de durar".
O país, que normalmente tem 169,5 mil militares na ativa, mobilizou 110 mil reservistas. O governo diz estar pronto para agir em diversas frentes.
IRÃ
Os ataques continuaram durante o dia todo no Irã, com foco à região central de Teerã. Israel disse ter matado mais comandantes militares do rival ao mirar sua Inteligência Militar e a milícia Basij. Os EUA, mais econômicos, confirmaram o uso de bombardeiros B-1B em ações de precisão. O Crescente Vermelho conta até aqui 555 mortos no país. Os EUA perderam quatro militares.
Washington disse ainda que afundou todos os 11 navios do Irã no golfo de Omã.
QATAR
No Qatar, o governo disse ter derrubado dois caça-bombardeiros Sukhoi Su-24 do Irã. Não há detalhes do incidente, nem confirmação de Teerã, que até a guerra tinha 29 desses modelos de ataque de fabricação soviética.
É a primeira vez na história que tal embate acontece entre os antigos aliados: o Qatar era um dos países mais próximos do Irã no golfo, tendo sido objeto de um bloqueio por parte de outros vizinhos árabes na década passada. Agora, sede da maior base americana na região Al-Udeid, está sendo bombardeado.
KUWAIT
Aliado dos EUA desde 1991, o Kuwait está sob fogo constante desde sábado, tendo tido seu aeroporto atingido. Nesta segunda, protagonizou a primeira perda confirmada de caças dos EUA na guerra, quando suas baterias antiaéreas derrubaram três F-15E durante um ataque do Irã. Os seis pilotos sobreviveram ao fogo amigo.
EMIRADOS ÁRABES E BAHREIN
Em Doha e Dubai, o regime de alerta segue, com destroços atingindo. O fechamento dos aeroportos na duas cidades e em Abu Dhabi gerou um grande engasgo no transporte aéreo entre hemisférios, que os usa como ponto de ligação, derrubando ações do setor e causando caos mundo afora.
Os Emirados, assim como o Qatar, têm pressionado os EUA por um fim rápido da guerra pois seus estoques de mísseis antiaéreos podem durar menos de uma semana, diz a Bloomberg. Já o Bahrein conta os prejuízos de prédios incendiados.
ESTREITO DE HORMUZ E GOLFO
Mais um petroleiro, esse de bandeira americana, foi atingido por drones da Guarda Revolucionária nas água próximas ao estreito de Hormuz, por onde passa 20% do óleo e gás natural do mundo. O Qatar suspendeu a produção do gás nos campos no golfo.
ARÁBIA SAUDITA
Na Arábia Saudita, mais importante país árabe da região, o Irã mirou uma das maiores refinarias do Oriente Médio, o complexo de Ras Tanura. Drones foram abatidos antes de atingir o local, mas seus destroços provocaram um incêndio que parou a produção ?por dia, saem de lá 550 mil barris de petróleo
CHIPRE
Em outro desenvolvimento importante, a guerra bateu às portas da Europa com ataques à base britânica de Akrotiri, em Chipre. O governo da ilha grega derrubou dois drones ao longo do dia e mobilizou duas fragatas e dois caças para defender, a todo custo, a região.
O Reino Unido, que em 2003 participou da invasão do Iraque, não apoiou a guerra desta vez e vetou o uso de suas bases próximas do Oriente Médio por bombardeiros dos EUA. No domingo, voltou atrás e viu o premiê Keir Starmer ser criticado por Trump pela demora.