SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pela primeira vez desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram sua guerra contra o Irã, um ataque mirando o programa nuclear da teocracia foi confirmado. Segundo a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), a central de Natanz foi atingida.
O órgão ligado à ONU afirmou nesta terça-feira (3) que imagens de satélite mostram danos à entrada do complexo subterrâneo, que já havia sido objeto de bombardeio quando os EUA atacaram três instalações nucleares iranianas em junho passado. Na véspera, havia descartado esse tipo de ação, denunciada pelos iranianos.
Não há, segundo a AIEA, risco imediato de vazamento radioativo. O diretor-geral do órgão, o argentino Rafael Grossi, adverte que esse é um perigo evidente na campanha militar em curso, e disse que grandes contingentes de população podem ter de ser deslocados caso haja contaminação.
Com isso, fica claro que o programa nuclear iraniano, "casus belli" inicial de Donald Trump ao justificar o conflito, está na mira. Não está claro quem atacou o local, se os EUA ou Israel, mas pela divisão de trabalho vigente entre os aliados provavelmente foram os americanos.
A data da ação não é conhecida, mas no domingo (1º) quatro bombardeiros furtivos ao radar B-2 fizeram uma missão sobre o Irã. O modelo havia sido empregado na ação de junho por ser o único do arsenal americano que pode carrega a mais poderosa bomba de penetração em bunkers, já usada no ataque passado.
Os aviões fizeram voos de 37 horas de ida e volta, apoiados por uma frota de caças como escolta e aviões-tanque para reabastecimento aéreo, a partir de sua base no Missouri.
De forma ideal para os EUA, os B-2 deveriam ser lançados da base de Diego Garcia, que fica a 3.800 km das costas iranianas, no oceano Índico ?longe do alcance de qualquer míssil balístico da teocracia.
Mas a base é britânica e, apesar de ela estar operando caças e aviões de apoio americanos, o governo de Keir Starmer não permitiu seu uso por bombardeiros.
No domingo, pressionado, o premiê permitiu que os EUA a utilizem para "ataques defensivos", mas foi duramente criticado por Trump, que já se queixava da transferência do controle do arquipélago onde a unidade fica para as ilhas Maurício.
Também nesta terça, a gigante estatal russa Rosatom afirmou que irá suspender as operação na usina nuclear de Bushehr, que construiu e mantém funcionando no Irã. A empresa alega que é preciso reduzir o risco de acidentes em caso de a unidade ser atingida.
O programa nuclear iraniano é objeto de discussão há anos, tendo sido objeto de um acordo do qual Trump se retirou em 2018 alegando que não permitia a verificação da promessa de não enriquecer urânio ao nível militar em troca de fim de sanções.
Após a curta guerra com Israel e o ataque americano de 2025, tudo ficou parado, só para as negociações retomadas neste ano serem ignoradas pelo presidente no sábado passado.
A AIEA estima que os 440,9 kg de urânio a 60%, que servem para de 10 a 15 bombas rudimentares, estão estocados em algum depósito subterrâneo do Irã, mas não houve inspeções permitidas nos locais atingidos pelos EUA no ano passado.
Além disso, há a questão do conhecimento para fazer a bomba, que não depende de bunkers. Ele não é exterminável, apesar de Israel há anos promover uma campanha de assassinatos de cientistas ligados ao programa.