SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que o líder do Hezbollah, Naim Qassem, passou a ser um alvo direto do governo israelense em meio à escalada da guerra no Oriente Médio. Clérigo, Qassem é um dos fundadores e uma das figuras mais antigas em atividade na organização.
Katz afirmou que Qassem é um "alvo marcado para eliminação". Em mensagem publicada nas redes sociais, o ministro israelense disse que o Hezbollah "pagará um preço pesado pelos disparos contra Israel".
A declaração ocorre no contexto do conflito que envolve Estados Unidos, Israel e Irã. Nos últimos dias, Israel intensificou ataques contra alvos iranianos, e o Hezbollah entrou diretamente na guerra ao lançar mísseis e drones contra território israelense.
Participação do Líbano na guerra se intensificou após o Hezbollah disparar projéteis contra Israel por dois dias consecutivos. Israel respondeu com bombardeios em Beirute e no sul do país e enviou tropas para novas posições na região de fronteira.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o Hezbollah está arrastando o povo libanês "para uma guerra que não é deles". De acordo com o Ministério da Saúde do Líbano, dezenas de pessoas morreram e centenas ficaram feridas desde o início da nova escalada.
O Hezbollah afirma que seus ataques são uma resposta às ações israelenses e que agiu por "razões nacionais". No centro desse novo capítulo do conflito está Naim Qassem.
QUEM É NAIM QASSEM
Naim Mohammad Qassem, 73, é um clérigo, político xiita libanês, um dos fundadores do Hezbollah e uma das figuras mais antigas da organização. Ele ajudou a criar o grupo em 1982, com apoio do Irã, após a invasão israelense ao Líbano. Durante décadas, atuou como número dois do movimento.
Em 1991, tornou-se secretário-geral adjunto do Hezbollah e permaneceu no posto mesmo após Hassan Nasrallah assumir o comando. Ao longo dos anos, tornou-se um dos principais articuladores políticos e porta-vozes do grupo. Após a morte de Nasrallah, em 27 de setembro de 2024, em um ataque israelense em Beirute, Qassem foi eleito secretário-geral, tornando-se o quarto líder da organização.
Formado em Química pela Universidade Libanesa, Qassem trabalhou como professor antes de se dedicar integralmente à militância política e religiosa. Também teve passagem pelo movimento Amal, outro grupo xiita libanês.
Autor de um livro publicado em 2005 sobre o Hezbollah, Qassem ofereceu um dos raros relatos internos do grupo. Ele se distingue também pelo turbante branco. Já Nasrallah e Safieddine usavam turbantes pretos, que indicam linhagem atribuída ao profeta Maomé.