SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Israel disse nesta quarta-feira (4) ter feito um ataque de grande escala contra um complexo militar do Irã que abriga a sede de todos os órgãos do aparato de segurança do país, incluindo a Guarda Revolucionária, a brigada Quds, unidade de elite do regime, e a Basij, milícia paramilitar formada por voluntários.
De acordo com um comunicado de Tel Aviv, aviões de combate da Força Aérea atingiram o complexo, no leste de Teerã, no momento em que foi detectada atividade de soldados iranianos. A imprensa local afirma que as Forças Armadas mobilizaram mais de 100 caças para a operação, que teria usado mais de 250 bombas.
A Guarda Revolucionária foi criada após a Revolução Iraniana de 1979 para proteger o então recém-criado regime teocrático e tem entre suas unidades a brigada Quds, responsável por missões no exterior. Já a Basij é uma afiliada à Guarda Revolucionária acuasada por ativistas de promover execuções extrajudiciais e torturas, além de promover as regras islâmicas do regime à força.
A guerra, iniciada após os Estados Unidos e Israel atacarem o Irã no último sábado (28), matando o líder do supremo Ali Khamenei, se espalhou pela região.
Mais de dez países que abrigam bases americanas já sofreram ataques de retaliação de Teerã em cinco dias, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Qatar. De acordo com a declaração de um comandante da Marinha da Guarda Revolucionária à imprensa estatal iraniana, Teerã alvejou ao menos dez navios e petroleiros no conflito.
Nesta quarta, o Irã subiu o tom ao ameaçar atacar embaixadas israelenses em todo o mundo caso o Estado judeu faça algo contra a missão diplomática de Teerã no Líbano. "Se Israel cometer esse crime, nos obrigará a tornar as embaixadas israelenses ao redor do mundo alvos legítimos", afirmou Abolfazl Shekarchi, porta-voz das Forças Armadas iranianas, em uma mensagem televisionada.
Na terça, Avichay Adraee, porta-voz das Forças Armadas israelenses, alertou que "representantes do regime terrorista iraniano ainda no Líbano" deveriam deixar o país "imediatamente antes de serem atacados". Ele deu aos membros da missão um prazo de 24 horas.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, dirigiu-se aos países atacados em uma publicação desta quarta na rede social X. "Tentamos evitar a guerra com a ajuda de vocês e por meio da diplomacia, mas o ataque militar americano-sionista não nos deixou outra escolha senão nos defender. Respeitamos a soberania de vocês e continuamos acreditando que a paz regional deve ser garantida pelos países da região", afirmou o político.