SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em meio a um embargo de petróleo imposto pelos Estados Unidos, Cuba passa por um apagão generalizado nesta quarta-feira (4) que atinge quase a totalidade da ilha, da cidade de Pinar del Río à província oriental de Las Tunas, passando pela capital, Havana.
De acordo com a mídia estatal, o apagão foi causado por volta do meio-dia (14h de Brasília) graças a uma falha técnica na usina termelétrica de Antonio Guiteras, a 100 quilômetros de Havana. Dois terços da ilha estão sem luz, e não há previsão de retomada do serviço.
Desde a captura do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, em uma invasão americana em janeiro, Cuba deixou de receber o petróleo venezuelano que era crucial para o funcionamento de sua economia. Após pressão do governo Donald Trump, o México, outro importante fornecedor, também interrompeu as remessas à ilha.
Washington também ameaçou impor tarifas contra países que vendam petróleo a Cuba. Como resultado, nenhum petroleiro aportou na ilha desde o dia 9 de janeiro, segundo a agência de notícias AFP, e o regime adotou medidas drásticas, como proibição da venda de diesel e racionamento da de gasolina.
Dessa forma, os cubanos vivem hoje longos apagões, veem o lixo se acumular nas ruas e podem contar cada vez menos com serviços básicos, como transporte público e atendimento de saúde. Estima-se que Cuba produza menos da metade do petróleo de que necessita.
O agravamento dos períodos sem energia elétrica levou algumas famílias a instalar painéis solares em suas casas, mas a solução é limitada. Havana passa por racionamentos de energia que podem durar até 15 horas, enquanto a situação nas províncias é ainda mais grave.
À crise energética soma-se a prolongada crise econômica de Cuba, que deve piorar com o colapso do setor turístico frente a escassez de petróleo. Linhas aéreas como a Air France anunciaram que vão suspender suas operações no país por falta de combustível de aviação, mais um golpe para o turismo, importante fonte de renda para o regime.
O aposentado Alfredo Menéndez, 67, disse à AFP que já não sabe como pedir a Deus para que aconteça algo que melhore a vida dos cubanos. "Isto já não é viver", afirmou.
O governo Trump justifica sua política de asfixiamento econômico contra Cuba dizendo que o país de cerca de 10 milhões de habitantes a apenas 150 km de distância da Flórida representa uma "ameaça excepcional" à segurança dos EUA, dadas as relações do regime comunista com Rússia, China e Irã.
Nesta quarta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que há fome em Cuba por causa de forças externas. "Cuba não está passando fome porque não sabe produzir. Cuba não está passando fome porque não sabe construir sua energia. Cuba está passando fome porque não querem que Cuba tenha acesso às coisas que todo mundo tem direito", disse o presidente brasileiro.