SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou nesta qiunta-feira (5) que o país está preparado para uma invasão terrestre dos Estados Unidos.
Abbas Araghchi afirmou que o Irã não teme invasão. "Estamos à espera deles. Temos confiança de que podemos confrontá-los, e isso seria um grande desastre para eles", disse o ministro em entrevista ao programa NBC Nightly News.
Ele também descartou qualquer negociação com os EUA e disse que o Irã não solicitou um cessar-fogo. "Nem da última vez pedimos um cessar-fogo. Anteriormente, foi Israel quem pediu um cessar-fogo. Eles pediram um cessar-fogo incondicional depois de 12 dias de resistência à agressão deles", disse ele, ao se referir à guerra de 12 dias em junho de 2025, quando os militares israelenses e americanos atacaram as instalações nucleares do Irã.
Araghchi lembrou que ataque dos EUA atrapalhou negociações sobre programa nuclear. Na última semana, o ministro se reuniu com o enviado do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, e seu genro, Jared Kushner, em Genebra, para discutir o tema. O ataque em meio às negociações azedou a relação do Irã com quaisquer conversas futuras, disse o representante do Irã.
O ministro ressaltou que não teve comunicação com Witkoff ou Kushner desde a semana passada. "O fato é que não temos nenhuma experiência positiva em negociações com os Estados Unidos. Sabe, especialmente com esta administração. Negociamos duas vezes, no ano passado e neste ano, e então, no meio das negociações, eles nos atacaram", disse Araghchi.
Sobre possíveis conversas com os EUA, ele foi cético. "Não vemos razão para nos envolvermos novamente com aqueles que não são honestos em negociações e que não entram em negociações de boa fé."
O chanceler falou sobre o desfecho do conflito e disse que não há vencedores na guerra. "Nossa vitória é sermos capazes de resistir contra os objetivos ilegais, e é isso que temos feito até agora. Eles não conseguiram atingir seus objetivos, e nós fomos capazes de resistir a eles, de enfrentar o exército mais poderoso do mundo, como eles alegam, juntamente com os israelenses, que também afirmam ter um grande exército."
A presença de tropas americanas em solo iraniano não faz parte do plano da operação neste momento, segundo a Casa Branca. Há três dias, porém, Trump disse que não descarta enviar soldados por via terrestre "se for necessário".
"Essas opções não fazem parte do plano para esta operação neste momento, mas certamente eu jamais retirarei as opções militares em nome do presidente dos Estados Unidos ou do comandante-chefe, e ele, sabiamente, não faz o mesmo por si próprio", disse a secretária de imprensa, Karoline Leavitt.
SEXTO DIA DE ATAQUES
Os ataques dos exércitos dos EUA e de Israel contra o Irã se intensificaram hoje, no sexto dia da guerra. Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana atacou uma base militar norte-americana no Iraque, além de danificar um petroleiro com bandeira americana.
Bombardeios realizados contra o Irã "foram intensos". "Hoje está pior do que ontem. Não temos para onde ir. É como uma zona de guerra", reportou um morador de Teerã à agência de notícias Reuters.
Ataques têm se concentrado na capital Teerã e tem crescido o número de mortos no país. Em menos de uma semana de guerra, os ataques de Israel e EUA já mataram 1.230 iranianos, segundo reportou a Irna, agência oficial de notícias do país. Ontem, os mortos eram 1.045 - a maior parte das vítimas são civis, incluindo dezenas de crianças.
Em meio às investidas israelenses e americanas, o regime iraniano adiou o velório de seu líder supremo, Ali Khamenei, assassinado no primeiro dia da guerra. Adiamento do cortejo fúnebre se deu por temores de um ataque à multidão, disse a Reuters. As cerimônias fúnebres de líderes políticos e religiosos xiitas, especialmente aqueles considerados mártires, são conhecidas por demonstrações públicas de paixão, ressaltou a agência.
EUA planejam provocar uma guerra civil no Irã como forma de derrubar a teocracia que governa o país. A ideia original era gerar revolta popular com a morte de Khamenei, o que não ocorreu. Para evitar um conflito interno, a República Islâmica atacou separatistas.
Nesta quarta-feira (4), os EUA atingiram um navio de guerra do Irã na costa do Sri Lanka. O ataque deixou pelo menos 87 pessoas mortas e dezenas de feridos. O regime iraniano prometeu se vingar.