SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou neste sábado (7) que o conselho de liderança provisório criado após a morte de Ali Khamenei suspendeu ataques a países do Golfo, embora bombardeios continuassem sendo registrados na região.

"Peço desculpas pessoalmente aos países vizinhos que foram afetados pelas ações do Irã", disse o político, em referência à retaliação de Teerã contra nações que abrigam bases americanas após o ataque conjunto de Israel e Estados Unidos que matou o líder supremo iraniano há uma semana.

Horas depois, porém, o Exército iraniano afirmou que continuará atacando alvos militares dos EUA e de Israel em toda a região ?a Guarda Revolucionária, aliás, disse ter feito um ataque com drones contra a base aérea de Al Dhafra, nos Emirados Árabes Unidos.

"Após as declarações do presidente, as Forças Armadas declaram mais uma vez que respeitam a soberania nacional dos países vizinhos e que não realizaram nenhuma agressão contra eles", afirmou o comunicado. Mas, "caso as ações hostis anteriores continuem, todas as bases e interesses militares" dos EUA e de Israel "em terra, mar e ar" em toda a região serão os "alvos principais", continua.

Em seu discurso televisionado neste sábado, Pezeshkian afirmou também que seu país não se renderá aos EUA nem a Israel. "Os inimigos levarão para o túmulo o desejo de que o povo iraniano se renda", disse o presidente.

O presidente dos EUA, Donald Trump comemorou as declarações em sua plataforma, a Truth Social. "Essa promessa só foi feita por causa do implacável ataque dos EUA e de Israel. Eles buscavam dominar e governar o Oriente Médio", afirmou. Na véspera, o republicano havia exigido a "rendição incondicional" do país persa e negou qualquer possibilidade de acordo.

"O Irã não é mais o 'valentão do Oriente Médio', mas sim o 'perdedor do Oriente Médio', e continuará sendo por muitas décadas, até se render ou, mais provavelmente, entrar em colapso total!", continuou o republicano, falando em novos alvos "devido ao mau comportamento do Irã".

Apesar da fala de Trump, é cedo para saber se os comentários de Pezeshkian significam que o Irã decidiu reduzir os ataques em nome das futuras relações com os vizinhos do Golfo ou se devem ser interpretados como um aviso de que a teocracia permanece pronta para atacar em toda a região.

A onda de ataques israelenses antes do amanhecer deste sábado foi uma das mais intensas desde o início da guerra. Os alvos incluíram uma academia militar, um centro de comando subterrâneo, um depósito de mísseis e o Aeroporto Internacional de Mehrabad, um dos dois terminais aéreos de Teerã.

Simultaneamente, Israel bombardeou diversos alvos do Hezbollah no sul e leste do Líbano. A milícia pró-Irã afirmou ter repelido uma incursão israelense perto da fronteira com a Síria, e o Ministério da Saúde de Beirute relatou 16 mortes.