WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - A família do brasileiro Gustavo Guimarães, 34, morto na terça-feira (3) por policiais em um estacionamento de supermercado em Powder Springs, no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, contesta a versão da polícia.
Segundo autoridades, Guimarães teria sacado uma arma durante a abordagem que resultou em sua morte. Porém, de acordo com um familiar que pediu para não ser identificado, o brasileiro estava recebendo atendimento de saúde mental no momento em que os agentes chegaram ao local --e estava calmo.
O parente disse à Folha que Guimarães não era uma pessoa agressiva e não acreditava em violência. Além disso, havia retomado contato com parentes nas últimas semanas depois de meses sem notícias.
Ele teria comunicado que finalmente havia conseguido emprego e que estava disposto a buscar tratamento para problemas de saúde mental com os quais convivia há anos. Embora Guimarães não tenha recebido um diagnóstico formal justamente por se recusar a buscar ajuda médica, a família diz que ele apresentava sinais de esquizofrenia.
Os parentes, então, entraram em contato com duas profissionais de saúde para fazer uma triagem. O encontro foi marcado para a terça-feira em um estacionamento de supermercado --um local público, escolhido justamente para ser um ambiente neutro.
Segundo a família, durante aproximadamente uma hora, Guimarães conversou com as duas profissionais. Ele próprio teria explicado que, em momentos de agitação ou medo, tinha o hábito de elevar o tom de voz, mas que não era uma pessoa violenta. Também contou que tinha medo de policiais.
Em determinado momento, segundo o relato do familiar, um grupo de ao menos seis policiais chegou ao local, atendendo a um chamado anônimo segundo o qual havia uma pessoa em crise de saúde mental no estacionamento.
O parente ouvido pela reportagem disse que a presença dos agentes alterou o estado emocional de Guimarães. Antes disso, segundo o relato, ele não apresentava nenhum sinal de surto.
Outra familiar que acompanhava Guimarães e que tem histórico de problemas cardíacos começou a passar mal durante a abordagem e precisou ser removida de ambulância para um hospital. Ela resistiu em deixar Guimarães com os policiais, mas os próprios agentes a convenceram a ir, garantindo que o acalmariam e o encaminhariam posteriormente para atendimento psiquiátrico.
Meia hora depois de chegar ao hospital, ela foi informada por dois policiais de que Guimarães estava morto. Segundo a versão apresentada a ela, o brasileiro estava muito agitado, e os agentes optaram por atirar.
O Departamento de Polícia de Powder Springs afirmou, em nota, que Guimarães teria sacado uma arma de fogo durante a abordagem, o que teria motivado os disparos. A família nega.
O caso está sendo investigado pelo Departamento de Investigação da Geórgia e pelo gabinete do promotor do condado de Cobb. O Ministério das Relações Exteriores informou que o Consulado-Geral do Brasil em Atlanta está em contato com a família de Guimarães.