WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou uma coalizão com países da América Latina para combater cartéis do narcotráfico. O republicano recebeu neste sábado (7) líderes latinos para o evento batizado de "Escudo da América".

"Vamos fazer coisas incríveis! A região de vocês foi abandonada pelos EUA, que olhou para regiões em que nem era bem recebido", disse o americano.

O evento acontece no resort de Trump em Doral, na Flórida. Entre os presentes estavam nomes como o presidente da Argentina, Javier Milei, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele e o recém-eleito presidente do Chile, José Antonio Kast.

O encontro foi marcado na esteira da chamada "Doutrina Donroe", versão de Trump para a Doutrina Monroe, em que promete intervir para promover interesses dos EUA no hemisfério ocidental, aumentar a segurança americana e interromper a influência de países como a China.

Durante o discurso, o republicano afirmou que a coalizão é importante porque é "inaceitável" que países tenham cartéis de drogas com um poder militar maior que o do país em que operam. O presidente, no entanto, não deu detalhes de como a coalizão vai operar.

"Eles ameaçam a polícia de vocês. Nossas forças já têm trabalhado para combater isso, mas vamos aprofundar e expandir", disse Trump.

O republicano convidou presidentes mais alinhados com a direita e deixou de fora presidentes do Brasil, da Colômbia e do México, países governados por líderes de esquerda ou centro-esquerda e com papel determinante no combate ao narcotráfico em escala continental.

A porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, afirmou que os países convidados são aqueles que já trabalham "de forma muito estreita" com os EUA nesse tema, mas destacou que Washington mantém cooperação com o Brasil em várias frentes de segurança.

Sobre um possível encontro entre Trump e Lula, Roberson reforçou que não há data marcada, mas disse que os dois líderes conversaram recentemente e que a relação "está numa trajetória bastante positiva".

Lula chegou a citar o dia 16 de março como uma data possível para a viagem. O Itamaraty tenta manter a previsão da viagem para o fim deste mês, mas já admite a necessidade de postergar a agenda para abril, uma vez que a principal prioridade das lideranças em Washington passou a ser a guerra no Oriente Médio.

Segundo mostrou uma reportagem da Folha, auxiliares do governo ouvidos pela reportagem sob condição de anonimato afirmaram que a guerra no Irã não traz impacto político à visita de Lula a Trump, mesmo com a posição oficial do governo brasileiro de condenar os bombardeios e o rompimento das negociações de paz.

Está mantida a orientação de que a equipe responsável pelos compromissos internacionais do presidente se mantenha a postos para viabilizar os detalhes da viagem assim que houver sinalização positiva da Casa Branca.

MÉXICO, VENEZUELA E CUBA NA MIRA DE TRUMP

No evento em Doral, mesmo com a ausência da presidente mexicana, Trump afirmou que o principal problema para o hemisfério, no quesito cartéis, é o México. "Os cartéis do México são responsáveis pelo derramamento de sangue. Nós vamos fazer o que for preciso para defender nossa segurança nacional. Temos que erradicar. Não podemos permitir, eles estão proximos demais de nós", disse.

Trump também aproveitou o discurso para falar sobre a relação com a Venezuela -que foi formalmente restabelecida nesta semana- e elogiou a relação construída com Delcy Rodríguez, vice de Nicolás Maduro, que tem trabalhado ao lado dos EUA desde o ataque em Caracas no início do ano.

"Ela está fazendo um trabalho fantástico, mas só digo isso porque ela está colaborando com os EUA. Se não, diria que está fazendo um trabalho horrível."

O presidente americano também renovou as ameaças ao regime de Cuba. "Eles estão no fundo do poço, não tem dinheiro, não tem petróleo, tem uma filosofia ruim. Eles querem negociar e eles estão negociando com o Marco Rubio. Há 50 anos, eu ouço falar de Cuba, mas o país está nos últimos momentos e vai ter uma nova vida", afirmou Trump. "Estamos focados no Irã, mas vamos fazer isso nos próximos dias."

Cuba enfrenta uma de suas mais graves crises desde a revolução de 1959 devido à pressão de Washington. O embargo de petróleo imposto por Trump aprofundou a crise que a ilha enfrenta há anos, com escassez generalizada de remédios, instabilidade econômica e êxodo massivo.