SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Líbano, que já registra quase 400 mortos desde a retomada da guerra no Oriente Médio, foi palco de novos bombardeios na madrugada deste domingo (8). Desta vez, Israel afirmou que os ataques no centro de Beirute miravam comandantes iranianos que atuavam na cidade.
A ofensiva com drone foi a primeira dentro dos limites da capital libanesa desde sábado passado (28), quando um ataque conjunto de Israel e Estados Unidos contra o Irã matou o líder supremo Ali Khamenei. Antes, Tel Aviv já havia bombardeado os subúrbios do sul de Beirute e o sul e o leste do país.
"Os comandantes do Corpo Libanês da Força Quds operavam para promover ataques terroristas contra o Estado de Israel e seus civis, enquanto simultaneamente atuavam para a Guarda Revolucionária Islâmica no Irã", afirmou o Exército israelense em um comunicado, sem nomear as vítimas.
De acordo com o Ministério da Saúde do Líbano, que não faz distinção entre civis e combatentes, quatro pessoas morreram no ataque, elevando o número de mortos para 394, incluindo pelo menos 83 crianças e 42 mulheres. Já Israel diz ter matado até agora cerca de 200 membos do Hezbollah, grupo fundamentalista apoiado pelo Irã.
O balanço anterior, divulgado no sábado (7), era de 294 mortos. O ministro da Saúde denunciou os ataques contra "equipes médicas e ambulâncias" e afirmou que nove socorristas morreram em uma semana.
O bombardeio deste domingo atingiu o edifício do hotel Ramada, no bairro Raouche. A cidade, na orla marítima de Beirute, é normalmente uma atração turística, mas nos últimos dias acolheu parte dos mais de 450 mil deslocados que fogem da guerra no sul do Líbano e nos subúrbios do sul de Beirute.
Um fotógrafo da AFP que foi ao hotel viu uma suíte no quarto andar com janelas quebradas e paredes enegrecidas e dezenas de hóspedes aterrorizados fugindo com suas bagagens. A agência de notícias não conseguiu verificar de forma independente a identidade das vítimas, mas uma fonte de segurança no local, falando sob condição de anonimato, disse que paramédicos ligados ao Hezbollah removeram três corpos.
Alguns dos bombardeios mais mortais dos últimos dois dias, no entanto, ocorreram no leste do país e nos subúrbios de Beirute. Além das quatro pessoas mortas no hotel, outras 12 morreram em ataques israelenses na madrugada de domingo, segundo a agência de notícias oficial ANI.
Na noite de sábado, um depósito de petróleo no sul de Teerã, capital do Irã, também foi bombardeado, e o Exército israelense assumiu a autoria do ataque. Trata-se da primeira ofensiva contra uma infraestrutura petrolífera da República Islâmica desde o início do conflito.
Pouco depois do ataque, que pareceu marcar uma nova fase na guerra, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, disse que seu governo prosseguiria com o ataque e atacaria os governantes do Irã "sem piedade". "Temos um plano organizado com muitas surpresas para desestabilizar o regime e possibilitar a mudança", disse ele em uma declaração em vídeo. "Temos muitos outros alvos."
A ofensiva, cujo impacto ainda é desconhecido, ocorreu pouco depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, dizer a jornalistas a bordo do Air Force One que não estava interessado em negociar o fim do conflito.