SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O Ministério da Defesa da Arábia Saudita afirmou, na madrugada de hoje, ter interceptado quatro drones sobre o deserto de Rub' al-Khali, que tinham como alvo o campo petrolífero de Shaybah.

O valor do barril de petróleo disparou desde a ação dos Estados Unidos e de Israel que resultou na morte do aiatolá Ali Khamenei. A refinaria de Shaybah é operada pela Saudi Aramco e produz, em média, mais de um milhão de barris de petróleo por dia.

Petróleo sobe 20% e supera US$ 100 com cortes de produção em meio à guerra. A alta ocorre enquanto o bloqueio do Estreito de Ormuz, devido à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, dificulta o escoamento da produção e força Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos a reduzir a extração.

A Bapco Energies do Bahrein anunciou força maior em suas operações, segundo a mídia estatal. O anúncio ocorre após relatos de fumaça densa vinda da direção da refinaria de petróleo da Bapco no país.

Força maior é uma cláusula que isenta as partes de responsabilidade caso o não comprimento das obrigações de fornecimento seja causado por eventos fora de seu controle. A fumaça cercou as instalações depois que o governo informou que houve feridos e danos na área de Sitra em decorrência de um ataque com drone iraniano, de acordo com informações da Reuters.

Por volta das 21h (horário de Brasília), o contrato futuro do petróleo tipo Brent, negociado na Bolsa de Londres, avançava 16%, a US$ 107,49 o barril. Perto das 19h, com uma alta de 19,4%, havia atingido US$ 110,06, o maior valor desde maio de 2022, no início da guerra da Rússia à Ucrânia. Os preços do petróleo já haviam disparado cerca de 30% nesta semana.

O Kuwait, quinto maior membro da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), anunciou cortes na extração e no refino do combustível, sem detalhar o tamanho da redução. Explicou que a medida se deve às "ameaças do Irã aos petroleiros que tentam atravessar o Estreito de Hormuz". O Iraque já reduziu em 70% sua produção, de 4,3 milhões de barris por dia para 1,3 milhão de barris por dia. Os Emirados Árabes, terceiro maior do grupo, disse que está cuidadosamente administrando os níveis de produção para atender à demanda de estoque.

O Estreito de Ormuz, via navegável estreita e estrategicamente vital entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, é uma das rotas críticas de escoamento de petróleo do mundo. Por essa região, passam cerca de 20% dos fluxos globais de petróleo e gás natural liquefeito.

Sem novos navios-tanque capazes de chegar aos terminais do sul do Iraque, a expectativa é de que exportações do país parem completamente. A queda na produção e nas exportações de petróleo do Iraque deve prejudicar as finanças do país, já que o país depende das vendas de petróleo bruto para bancar quase todos os gastos públicos e mais de 90% de sua renda.

O presidente dos Estados Unidos comentou a disparada do petróleo em uma mensagem divulgada. No texto, ele relacionou a alta a um objetivo maior de 'segurança e paz' para os EUA e para o mundo.

Trump também afirmou que a alta seria temporária e que os preços recuariam rapidamente depois do fim do que chamou de ameaça nuclear iraniana. Ele não apresentou detalhes sobre prazos nem sobre quais medidas levariam a essa queda.

Na mesma mensagem, o republicano atacou quem discorda da avaliação. A fala foi feita em tom de confronto, sem citar interlocutores.

"Os preços do petróleo no curto prazo, que vão cair rapidamente quando a destruição da ameaça nuclear do Irã acabar, são um preço muito pequeno a se pagar pela segurança e paz dos EUA e do mundo. Só tolos pensariam diferente!", disse Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.