SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após semanas de mal-estar entre Estados Unidos e Reino Unido, os primeiros bombardeiros americanos pousaram em uma base britânica para emprego na guerra de Donald Trump contra o Irã neste fim de semana.
Ao menos quatro B-1B chegaram a Fairford, em Gloucestershire, região central da Inglaterra. Os modelos supersônicos, que já foram usado nesta guerra em voos diretos dos EUA, foram acompanhados por diversos cargueiros C-17 com munição e equipamento de apoio.
Eles deverão atacar o Irã com suas armas de precisão a partir da base britânica, que é usada por americanos desde a Segunda Guerra Mundial e serve como principal ponto europeu para as forças táticas de bombardeiros, missões rotineiras de patrulha global de Washington.
O governo do primeiro-ministro Keir Starmer havia vetado o uso de Fairford e da estratégica Diego Garcia, no oceano Índico, para missões de ataque ao Irã. Donald Trump ficou furioso e, em declarações e postagens, passou a criticar o aliado.
Em outras guerras americanas, Londres sempre esteve ao lado de Washington. Escaldado pelo destino de seu antecessor Tony Blair, o também premiê trabalhista que caiu em desgraça após apoiar a invasão ilegal do Iraque em 2003, Starmer tentou resistir.
Não deu muito certo. Sob pressão, anunciou na semana passada que permitiria o uso de suas bases para o que chamou de "ataques defensivos", seja lá o que for isso. Trump continuou a admoestá-lo, até que ambos conversaram ao telefone no domingo (8), aparentemente acertando os ponteiros.
O B-1B é desenhado para o tipo de ataque mais duro que os EUA prometem desde a sexta (6), quando Trump exigiu a rendição incondicional dos iranianos e Israel anunciou que também aumentaria a intensidade dos ataques.
O Estado judeu participa da guerra ao lado dos americanos desde o começo, tendo envolvido 200 aviões só na primeira leva de ataques. Com a entrada do Hezbollah libanês no conflito para apoiar o Irã, ainda que com sérias limitações militares, os isarelenses também passaram a bombardear o Líbano.
No golfo Pérsico, a retaliação iraniana continua. O presidente Masoud Pezeshkian chegou a pedir desculpa aos vizinhos pelas ações no sábado (8), mas foi desautorizado por seus militares, que reiteraram considerar países com bases americanas alvos legítimos.
O principal foco dos ataques de Teerã são os Emirados Árabes Unidos, que também têm usado helicópteros nas missões de defesa contra drones suicidas iranianos, que no sábado quase atingiram em cheio o aeroporto local.
Ao longo do fim de semana, as ações continuaram lá e em outros pontos, como no Kuwait, onde um arranha-céu foi atingido e pegou fogo.