SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Uma família canadense processa a OpenAI e afirma que a empresa sabia que a atiradora Jesse VanRootselaar, 18, planejava um ataque em massa na Tumbler Ridge Secondary School.

O processo foi apresentado na Suprema Corte da Colúmbia Britânica e diz que a OpenAI não acionou a polícia diante de sinais de risco. De acordo com a AP News e a Global News, os pais de Maya Gebala, de 12 anos, dizem que a filha ficou em estado crítico após ser baleada durante o ataque.

A família afirma que a atiradora usou o ChatGPT como apoio para planejar o ataque. "O ChatGPT equipou a atiradora com informações, orientação e assistência para planejar um evento com múltiplas vítimas como o tiroteio de Tumbler Ridge", diz o processo, do qual a imprensa americana teve acesso.

Funcionários da empresa teriam identificado conversas no ChatGPT que indicavam ameaça iminente. "Cerca de 12 funcionários dos réus da OpenAI identificaram as postagens de violência armada no ChatGPT como indicativas de um risco iminente de dano grave a outras pessoas e recomendaram que as autoridades canadenses fossem informadas", afirma a ação.

O alerta interno teria sido levado à liderança, mas a empresa optou por não procurar as autoridades. "As preocupações sobre as postagens de violência armada no ChatGPT foram posteriormente escaladas à liderança", explica.

A OpenAI afirmou que desativou uma conta ligada à atiradora em junho, por atividade considerada violenta, mas diz que ela contornou o bloqueio com um segundo cadastro. A empresa também informou que só procurou a polícia após o ataque, e anunciou em 26 de fevereiro que vai reforçar práticas de encaminhamento a autoridades e detecção de reincidência.

A ação também acusa a empresa de não ter mecanismos de verificação de idade ou consentimento dos pais. O documento ainda alega que o chatbot teria fornecido uma espécie de orientação psicológica à atiradora.

Maya foi atingida três vezes, com ferimentos graves na cabeça e no pescoço. Os pais afirmam que ela tentou trancar a porta da biblioteca para proteger outros alunos quando foi baleada e que ela segue internada.

Ataque aconteceu por volta das 14h20 (horário local; 18h20 no horário de Brasília) de terça-feira (10). De acordo com a polícia local, seis pessoas foram encontradas mortas dentro da escola secundária. Outras duas morreram em uma residência que teria relação com o crime e 27 ficaram feridos. Após o ataque à escola, Jesse se suicidou.

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Vítimas mortas dentro da escola foram identificadas como:

Abel Mwansa, de 12 anos;

Ezekiel Schofield, de 13 anos;

Kylie Smith, de 12 anos;

Zoey Benoit, de 12 anos;

Ticaria Lampert, de 12 anos;

Shannda Aviugana-Durand, de 39 anos.

Familiares mortos foram identificados como:

Emmett Jacobs, de 11 anos, meio-irmão da suspeita;

Jennifer Jacobs, de 39 anos, mãe da suspeita.

Duas pessoas, uma menina de 12 anos e uma jovem de 19 anos, foram levadas de helicóptero para o hospital com ferimentos graves. Outros 25 feridos foram avaliados em uma unidade de saúde local, informou a polícia, segundo a CBC News. Cerca de 100 pessoas, entre alunos e funcionários, foram evacuadas do local em segurança. A Divisão de Crimes Graves da Polícia da Colúmbia Britânica assumiu a condução da investigação.

Cidade onde ocorreu o episódio fica a mais de mil quilômetros de Vancouver. Ela fica no nordeste da Colúmbia Britânica e possui pouco mais de 2.000 habitantes, que vivem em comunidade. Segundo a Universidade do Norte da Colúmbia Britânica, o local foi construído em 1981 e tornou-se mundialmente conhecida como um paraíso de fósseis.

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