SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um júri de Utah, nos EUA, condenou Kouri Richins, autora de um livro infantil sobre luto, por matar o marido, Eric Richins, com uma dose letal de fentanil.
O veredito foi anunciado após cerca de três horas de deliberação, de acordo com a CNN e a BBC. Além de homicídio agravado, ela foi considerada culpada por tentativa de homicídio agravado, falsificação e duas acusações de fraude em seguro ligadas à apólice de vida do marido.
A promotoria sustentou que a motivação era financeira e que Richins queria manter uma imagem de sucesso apesar das dívidas. "Ela não tinha dinheiro para deixar Eric, nem para salvar o próprio negócio. Kouri Richins é uma pessoa intensamente ambiciosa. Ela assume riscos. Havia um caminho a seguir. Eric tinha que morrer", disse o promotor Brad Bloodworth em seu argumento final.
Eric Richins foi encontrado morto na casa do casal em Kamas, em 4 de março de 2022, e a autópsia apontou overdose de fentanil. Segundo a acusação, ele tinha cerca de cinco vezes a dose letal da substância no organismo.
A defesa da mulher afirmou que a investigação foi falha e que o Estado não provou como a droga foi ingerida. "Eles não conseguem dizer como Eric ingeriu aquele fentanil. Eles não fizeram o trabalho deles e agora querem que vocês façam inferências com base em evidências frágeis", disse a advogada Wendy Lewis.
A sentença será definida em 13 de maio, e a pena máxima pode ser prisão perpétua sem liberdade condicional. Do lado da família da vítima, a irmã Amy Richins disse, do lado de fora do tribunal, que o foco agora é "honrar a vida de Eric e apoiar seus meninos, enquanto todos continuamos a nos curar."
Richins foi presa em 2023, após a investigação da morte do marido apontá-la como principal suspeita. A autópsia concluiu que Eric morreu por overdose de fentanil.
Na versão apresentada à polícia, ela disse ter preparado um drink para comemorar um negócio imobiliário e depois foi dormir com um dos filhos. Na própria versão, Kouri disse que acordou por volta das 3h, foi para o quarto que dividia com o marido e ele estava adormecido. Ao tocar nele, sentiu seu corpo frio e ligou para a emergência.
Os registros telefônicos indicaram uso do celular em um período em que ela alegou estar sem o aparelho. À polícia, ela também teria dito que quando foi para o quarto das crianças deixou o celular no cômodo que dividia com o esposo.
Após a morte, ela publicou o livro infantil "Are You With Me?", para ajudar os três filhos a lidar com o luto e chegou a divulgá-lo em entrevistas. À rádio KPCW, antes de ser presa, ela disse: "Escrevemos este livro e realmente esperamos que ele traga algum conforto não apenas, obviamente, para a nossa família, mas para outras famílias que estão passando pela mesma coisa."