SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Donald Trump apelou a países como China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido para que enviassem navios de guerra e se juntassem aos esforços dos Estados Unidos para ajudar a "reabrir" o Estreito de Hormuz. Por enquanto, porém, o presidente não tem tido respostas positivas.

Donald Trump disse ao Financial Times que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) pode enfrentar um futuro "muito ruim" se aliados dos EUA não ajudarem a reabrir o Estreito de Hormuz. O presidente criticou, sem citar nomes, lideranças que não se disponibilizaram a ajudá-lo a "reabrir" o canal, crucial para o transporte de petróleo e que está bloqueado pelo Irã em meio ao conflito no Oriente Médio.

"É apenas apropriado que as pessoas que são beneficiárias do Estreito ajudem a garantir que nada de ruim aconteça lá. Se não houver resposta ou se for uma resposta negativa, acho que será muito ruim para o futuro da Otan", disse Donald Trump, ao Financial Times.

O republicano destacou, também sem mencionar quais, que alguns aliados já aceitaram reforçar a passagem estratégica. "Vários países me disseram que estão a caminho. Alguns estão muito entusiasmados com isso, outros nem tanto", falou.

"É mais do que apropriado que as pessoas que se beneficiam do Estreito ajudem a garantir que nada de ruim aconteça lá. Alguns são países que ajudamos há muitos, muitos anos. Nós os protegemos de fontes externas terríveis, e eles não se mostraram muito entusiasmados. E o nível de entusiasmo é importante para mim", disse Donald Trump, ao Financial Times.

O presidente dos EUA expressou frustração especial com a resposta do Reino Unido. "O Reino Unido pode ser considerado o aliado número um, o de mais longa data, e quando eu pedi que viessem, eles não quiseram vir", disse Trump.

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O POSICIONAMENTO DE CADA PAÍS

Reino Unido

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse que o Reino Unido não se envolverá em uma guerra mais ampla no Irã, segundo a Reuters. Disse, porém, que trabalhará com aliados em um "plano coletivo viável" para reabrir o importante Estreito de Hormuz, ressaltando ainda que esta não seria uma missão liderada pela Otan.

Em última análise, temos que reabrir o Estreito de Hormuz para garantir a estabilidade do mercado [de petróleo]. Essa não é uma tarefa simples. Portanto, estamos trabalhando com todos os nossos aliados, inclusive nossos parceiros europeus, para elaborar um plano coletivo viável que possa restaurar a liberdade de navegação na região o mais rápido possível e aliviar o impacto econômico

"O que Trump espera que um punhado de fragatas europeias consiga realizar no Estreito de Hormuz que a poderosa Marinha americana não possa alcançar sozinha? Essa não é a nossa guerra, nós não começamos esse conflito", disse Keir Starmer, em coletiva de imprensa.

Alemanha

A Alemanha disse não ver papel para a Otan no policiamento do estreito. "Enquanto esta guerra continuar, não haverá envolvimento, nem mesmo na opção de manter o Estreito de Hormuz aberto por meios militares", declarou Stefan Kornelius, porta-voz do chanceler alemão Friedrich Merz, em Berlim, na segunda-feira, durante coletiva.

Gostaria também de lembrar que os EUA e Israel não nos consultaram antes da guerra e que Washington declarou explicitamente, no início do conflito, que a ajuda europeia não era necessária nem desejada.

Stefan Kornelius, porta-voz do chanceler alemão Friedrich Merz

"Esta não é a nossa guerra, não a começamos. Queremos soluções diplomáticas e um fim rápido", disse Boris Pistorius, ministro da Defesa alemão.

China

A China pediu o fim das hostilidades, mas não afirmou que ajudaria a garantir a segurança do estreito. Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, afirmou que o país está em negociações com as diferentes partes envolvidas no conflito "para trabalhar pela desescalada da situação", de acordo com o The Guardian.

"A recente tensão no Estreito de Hormuz e nas águas próximas impactou a rota do comércio internacional de bens e energia, perturbando a paz e a estabilidade na região e além", disse Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.

Donald Trump já havia pressionado Xi Jinping a ajudá-lo, ameaçando não realizar uma viagem programada para China nos próximos dias. "Acho que a China também deveria ajudar na reabertura, pois o país importa 90% de seu petróleo pelo Estreito de Hormuz", declarou, segundo a AFP.

Japão

O Japão afirmou que não planeja enviar navios de guerra para o Golfo Pérsico. Segundo a rádio pública americana NPR, Tóquio sugeriu que as operações no Estreito de Hormuz podem não ser legalmente válidas.

"Não tomamos nenhuma decisão sobre o envio de navios de escolta. Continuamos a analisar o que o Japão pode fazer de forma independente e o que pode ser feito dentro da estrutura legal", disse Sanae Takaichi, primeira-ministra do Japão.

Coreia do Sul

O governo da Coreia do Sul disse que é necessário "tempo suficiente para deliberação" para considerar o pedido de Trump, segundo a NPR.

França

O governo francês enfatizou que não enviará navios para o estreito neste momento. O Ministério das Relações Exteriores do país europeu afirmou nas redes sociais que sua missão naval está no Mediterrâneo Oriental e permanece "defensiva".

Espanha e Itália

Espanha e Itália também afirmaram que não enviariam navios para o estreito, de acordo com o The New York Times.

"A Itália não está em guerra com ninguém e enviar navios militares para uma zona de guerra significaria entrar na guerra", disse Matteo Salvini, vice-primeiro-ministro italiano.

Austrália

A Austrália afirmou que não foi solicitada a participar de uma coalizão naval para garantir a segurança do Estreito de Hormuz. O país ainda descartou o envio de navios para esse fim, segundo a NPR.

União Europeia

A União Europeia não expandirá sua missão para o Estreito. Kaja Kallas, representante do grupo, declarou que há um claro desejo de fortalecer esforços no Oriente Médio, mas não em expandir para o Hormuz por enquanto, segundo a AFP.

IRÃ DIZ QUE ESTREITO ESTÁ ABERTO, MENOS PARA EUA E INIMIGOS

O Irã fechou o estreito depois que EUA e Israel iniciaram a guerra. A ação gerou temores de um novo choque nos preços do petróleo para a economia global. Os preços subiram novamente ontem, após encerrar a semana passada acima de US$ 100 o barril.

O Irã enfatizou que a restrição é apenas para os EUA, Israel e outros possíveis países envolvidos em ataques contra o país. "Os demais têm liberdade para passar. Claro que muitos preferem não fazê-lo por questões de segurança. Isso não tem nada a ver conosco", disse Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, em entrevista ao canal norte-americano MS NOW.