SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Donald Trump afirmou que o diretor do Centro de Contraterrorismo dos Estados Unidos, Joseph Kent, que renunciou nesta terça-feira (17), era "fraco em segurança".

O presidente dos EUA classificou como boa a saída dele do cargo. Questionado por jornalistas sobre a demissão de Kent, o republicano se limitou a dizer que o veterano deixava a desejar. "Eu sempre achei que ele fosse um cara legal, mas sempre achei que ele era fraco em segurança, muito fraco em segurança, mas quando li a declaração dele, percebi que é uma coisa boa que ele tenha saído, porque ele disse que 'o Irã não era uma ameaça", afirmou.

Casa Branca também publicou que há uma série de informações falsas na carta de Joseph Kent. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nas redes sociais que o ex-diretor havia feito "muitas afirmações falsas". Especificamente sobre a declaração de Kent de que "o Irã não representava uma ameaça iminente à nossa nação", Leavitt diz que Trump tinha "evidências fortes e convincentes" de que o Irã iria atacar os Estados Unidos.

"Essas evidências foram compiladas a partir de muitas fontes e fatores", acrescentou Leavitt. Segundo ela, o presidente Trump jamais tomaria a decisão de mobilizar recursos militares contra um adversário estrangeiro isoladamente. A secretária disse ainda que o Irã teve "todas as oportunidades possíveis" para abandonar suas ambições nucleares.

"O presidente Trump finalmente determinou que um ataque conjunto com Israel reduziria consideravelmente o risco para as vidas americanas que adviria de um primeiro ataque do regime terrorista iraniano e, ao mesmo tempo, abordaria essa ameaça iminente aos interesses de segurança nacional dos Estados Unidos", disse Karoline Leavitt.

RENÚNCIA FOI ANUNCIADA HOJE

Joseph Kent renunciou em uma carta endereçada ao presidente Donald Trump e publicada nas redes sociais. Ele afirmou que não concorda com a guerra contra o Irã. "Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã", escreveu. Na carta, ele diz que tomou a decisão após muita reflexão.

O oficial é o primeiro funcionário do governo Trump a se demitir por causa da guerra com o Irã. Ele também é um dos primeiros a renunciar explicitamente, citando uma divergência política significativa, segundo o jornal The New York Times.

Ele declarou que os EUA iniciaram a guerra por pressão de Israel. Segundo o ex-diretor, o Irã não representava uma ameaça iminente ao país. "Está claro que iniciamos esta guerra devido à pressão de Israel e seu poderoso lobby americano", acrescentou.

Joseph Kent é um dos principais oficiais antiterrorismo dos Estados Unidos e é veterano da guerra do Iraque. Na carta, o militar escreveu sobre o que considerava uma "campanha de desinformação" promovida por altos funcionários israelenses e pela mídia, que, segundo ele, semeou sentimentos pró-guerra para incentivar um conflito com o Irã.

O ex-chefe de Contraterrorismo dos Estados Unidos citou a esposa, que também era militar, morta na Síria. "Como veterano que serviu em combate 11 vezes e como marido de uma militar condecorado com a Estrela de Ouro, que perdeu a amada esposa Shannon em uma guerra fabricada por Israel, não posso apoiar o envio da próxima geração para lutar e morrer em uma guerra que não traz nenhum benefício ao povo americano nem justifica o custo de vidas americanas", escreveu.

O oficial afirmou que apoiava os valores que Trump defendeu em suas campanhas de 2016, 2020 e 2024, e que implementou em seu primeiro mandato. "Até junho de 2025, o senhor compreendeu que as guerras no Oriente Médio eram uma armadilha que roubava dos Estados Unidos as preciosas vidas de nossos patriotas e dilapidava a riqueza e a prosperidade de nossa nação", continuou.

Kent tem sido um conselheiro fundamental de Tulsi Gabbard, diretora de Inteligência Nacional.

"Oro para que vocês reflitam sobre o que estamos fazendo no Irã e para quem estamos fazendo isso. A hora de agir com ousadia é agora. Você pode reverter o curso e traçar um novo caminho para nossa nação, ou pode nos permitir deslizar ainda mais rumo ao declínio e ao caos. As cartas estão em suas mãos. Foi uma honra servir em sua administração e servir nossa grande nação", disse Joseph Kent.