SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ataque de Israel à infraestrutura do maior campo de exploração de gás natural do mundo no Irã gerou queixas de países árabes aliados dos Estados Unidos, nações do golfo Pérsico que foram ameaçadas com uma retaliação igualmente inédita de Teerã contra instalações energéticas.

A escalada começou com o bombardeio das Forças de Defesa de Israel contra instalações ligadas ao megacampo de Pars Sul nesta quarta-feira (18), que haviam sido objeto dapenas de ações esporádicas até aqui.

A região, que fica no meio do golfo, é explorada em conjunto pelo Irã e pelo Qatar ?que tem acesso a 60% das reservas, num área denominada Domo Norte. Teerã é a maior produtora local da commodity, quase toda comprada pela China.

Houve incêndio em estações de processamento do gás, controlado após horas. Antes, Tel Aviv havia matado o homem-forte do regime islâmico, Ali Larijani, e um importante comandante militar, o que levou a uma onda de retaliação mais forte contra Israel e países do golfo.

Na sequência, o Irã lançou uma ameaça até aqui inédita: listou uma refinaria e uma petroquímica da Arábia Saudita, um campo de gás dos Emirados Árabes Unidos e três complexos do Qatar.

Até aqui, só os sauditas foram alvejados com mísseis balísticos e drones, que os sauditas disseram ter derrubado. Já os qataris evacuaram algumas das unidades petrolíferas ameaçadas pelo Irã, em mais um degrau na escalada retaliatória de Teerã ?que foi alvo de ataque não provocado pelos EUA e por Israel em 28 de fevereiro.

O ataque de Tel Aviv gerou queixas dos Emirados, da Arábia Saudita e de Omã, todos afirmando que a ação coloca em risco todo o comércio de gás natural do mundo. Até aqui, esses países só reclamavam da ação do Irã contra eles, devido aos acordos de defesa que mantêm com Washington.

Segundo a mídia israelense, a ação ocorreu sem o consentimento dos EUA. O governo do premiê Binyamin Netanyahu tem escalado operações militares, anunciando inclusive uma política aberta de assassinato de lideranças do Irã, talvez para manter o ritmo da guerra.

O presidente dos EUA, Donald Trump, tem se perdido em declarações contraditórias, e isso, segundo analistas do Estado judeu, faz o premiê Binyamin Netanyahu dobrar a aposta no ataque frontal ao regime islâmico.

Até aqui, a ideia inicial de ver uma revolta popular para tomar o poder no país persa não passou de uma vontade.

A crítica dos árabes chama mais atenção pelo fato de que são eles que estão sendo mais punidos pela retaliação iraniana. Não é possível falar ainda numa rusga no apoio aos EUA, mas certamente os cálculos estão diferentes agora.

Isso aumenta o isolamento do republicano, que viu seus aliados europeus na Otan e na Ásia se recusarem a apoiar uma força-tarefa de navios de guerra para garantir o escoamento de commodities energéticas pelo estreito de Hormuz.

No começo da noite (começo da tarde no Brasil), pela primeira vez soaram alertas de ataque aéreo nos celulares dos moradores de Riad, a capital saudita. Antes, a ação no país se resumia a campos petrolíferos ou instalações militares sendo alvejadas.

Por ora, os preços do gás estão apenas com uma leve alta, enquanto os do petróleo seguem subindo de forma mais consistente ?atingindo um patamar pouco acima de US$ 107.