SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O Ministério do Interior do Qatar informou nesta quarta-feira (18) que um ataque do Irã atingiu a maior centro de produção e exportação de GNL (gás natural liquefeito) do mundo. Não há informações sobre vítimas.
QatarEnergy disse que mísseis iranianos atingiram ao megacomplexo na Cidade Industrial de Ras Laffan. "Todos os funcionários foram contabilizados e não há relatos de vítimas até o momento", informou a companhia em comunicado.
Governo do Qatar condenou o bombardeio. "O Catar considera este ataque uma escalada perigosa, uma violação flagrante de sua soberania e uma ameaça direta à sua segurança nacional", declarou o Ministério do Interior.
Ataque ocorreu após alerta dado pelo Irã. O recado foi direcionado ao Complexo Petroquímico de Mesaieed, à Mesaieed Holding Company e à Refinaria de Ras Laffan, no Qatar; à Refinaria de Samref e ao Complexo Petroquímico de Jubail, na Arábia Saudita; e ao Campo de Gás de Al Hosn, nos Emirados Árabes Unidos.
Qatar já havia suspendido produção de GNL após ataque no início do mês. Uma das instalações do complexo foi atingida dias atrás provocando a interrupção temporária dos serviços.
Organização de Energia Atômica do Irã disse ontem que projétil atingiu área próxima à usina nuclear de Bushehr. O ataque foi direcionado a uma área dentro do território da usina, mas não foi no reator. Não houve danos financeiro, técnico ou humano, de acordo com a mídia local.
"Tais ações são contrárias a todas as normas internacionais sobre a imunidade de instalações nucleares contra ataques militares e podem ter consequências irreparáveis para toda a região, incluindo os países que fazem fronteira com o Golfo Pérsico", disse um comunicado do Centro de Segurança Nuclear.
Ataque causou preocupação em outros países. Apesar de bombardeio sem vazamento e vítimas, o episódio de hoje mobilizou agências e autoridades mundo afora, pois, pela primeira vez desde o início da guerra, o conflito chegou perto de infraestrutura sensível.
Estatal nuclear russa reagiu. A Rosatom condenou "categoricamente" o ataque e pediu desescalada do conflito ao redor da usina.
Usina Nuclear de Bushehr foi construída com ajuda da Rússia. O Irã começou a a construir a usina antes da Revolução Islâmica, nos anos 1970, com apoio de empresas alemãs. O projeto foi abandonado e, década depois, reassumido com ajuda de russos.
Estados Unidos disseram ter atacado instalações de mísseis iranianas perto do Estreito de Hormuz. Os americanos declararam ter usado múltiplas munições de penetração profunda que pesam mais de 2.268 quilos. Às 19h54, o Comando Central relatou ter feito o lançamento "há poucas horas" e que a ação foi empregada com "sucesso". O Irã ainda não se manifestou sobre a declaração.
Alvos eram instalações de mísseis iranianas que, segundo os EUA, eram "fortificadas". As áreas ficam ao longo da costa do Irã e perto do Estreito de Hormuz.
Comando Central afirmou que mísseis de cruzeiro antinavio iranianos nesses sítios representavam um "risco". Na avaliação dos norte-americanos, esses projéteis trariam riscos para o transporte marítimo internacional no estreito.
Um oficial americano disse que as munições usadas eram da espécie GBU-72 Advanced 5K Penetrator, segundo a CNN Internacional. Essa é uma bomba, conhecida como "antibunker" (por sua capacidade de destruir bunkers), que foi lançada por aeronaves dos EUA pela primeira vez em 2021.
Ontem, o almirante Brad Cooper, comandante do Comando Central, fez uma declaração. Na ocasião, ele afirmou que os EUA "continuarão a reduzir rapidamente a capacidade do Irã de ameaçar a liberdade de navegação no Estreito de Hormuz e em seus arredores".