SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou na noite de quarta-feira (18) que autoridades de Washington tentam destituir o líder de Cuba, Miguel Díaz-Canel, do poder. A informação foi revelada pelo jornal The New York Times.

De acordo com a reportagem, funcionários da Casa Branca que negociam o futuro da ilha sinalizaram a membros do regime que Díaz-Canel deve sair e que os próximos passos ficariam a cargo dos cubanos.

O secretário de Estado afirmou em rede social que o texto era falso e fazia parte de reportagens que recorrem a "charlatães e mentirosos que dizem estar bem informados". Rubio não apresentou elementos que refutassem as informações do jornal.

Trump e membros do seu governo frequentemente atacam e desqualificam a mídia tradicional no país. O secretário tampouco especificou se estava negando todo o conteúdo da reportagem ou apenas partes dele.

O The New York Times rebateu os comentários de Rubio, afirmando que o Departamento de Estado foi procurado para comentar a reportagem, mas o jornal não recebeu nenhuma contestação em relação ao conteúdo que seria publicado.

"Nem o senhor nem qualquer outra pessoa apresentou uma contestação factual à reportagem. Nossa apuração é real e precisa", afirmou o porta-voz do veículo, Charlie Stadtlander, em um post no X.

Rubio, cubano-americano de Miami, defende há anos o fim do regime da ilha instaurado por Fidel Castro após a Revolução de 1959. Díaz-Canel prometeu nesta terça-feira uma "resistência inexpugnável" diante das ameaças de Trump.

O republicano afirmou na segunda-feira que espera ter "a honra de tomar Cuba, de alguma forma".

O governo da Costa Rica, aliado de Trump, anunciou nesta quarta-feira o fechamento de sua embaixada em Cuba, uma medida que Havana atribuiu à pressão dos EUA.

O presidente Rodrigo Chaves afirmou, em um evento com a presença do embaixador dos EUA, que a decisão foi tomada como forma de protesto contra as más condições de vida da população cubana. A ilha vive uma crise humanitária e econômica, agravada pelo veto ao comércio de petróleo com a ilha imposto por Trump.

"A Costa Rica não reconhece a legitimidade do regime comunista de Cuba, diante dos maus-tratos, da repressão e das condições indignas enfrentadas pelos habitantes dessa bela ilha", afirmou Chaves durante a inauguração de um sistema de escaneamento de drogas doado pelos EUA. "Devemos limpar o hemisfério dos comunistas."

O ministro das Relações Exteriores, Arnoldo André, afirmou que Cuba poderá manter serviços consulares na Costa Rica. O Equador também fechou neste mês sua embaixada em Cuba, após declarar o embaixador cubano, Basilio Gutiérrez, persona non grata.