SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu investigação criminal contra o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, por supostos vínculos com o tráfico de drogas do país. As informações são do jornal "The New York Times".
Petro está sob investigação criminal de pelo menos dois escritórios de promotores federais dos EUA. As investigações são conduzidas por escritórios de procuradores em Manhattan e no Brooklyn, ambos no estado de Nova York.
Investigação quer determinar se Petro possui vínculos com narcotraficantes. Os promotores vão apurar se o presidente colombiano se reuniu com traficantes de drogas e se sua campanha presidencial de 2022 recebeu doação de criminosos, segundo o jornal.
Processo ainda está na fase inicial, ressaltou o NYT. Até o momento, Gustavo Petro não se manifestou sobre o assunto. O Ministério Público Federal dos EUA em Manhattan também não comentou sobre a ação contra o presidente colombiano.
Trump e Petro já trocaram diversas farpas desde o ano passado. O presidente colombiano criticou a forma como os EUA deportaram imigrantes colombianos que, segundo ele, não estavam recebendo tratamento digno.
O governo dos EUA se irritou e, em setembro passado, a relação bilateral se deteriorou. Trump começou a atacar embarcações supostamente ligadas ao tráfico de drogas no Caribe, o que Petro denunciou como "execuções extrajudiciais".
Pouco depois, o certificado de combate às drogas da Colômbia foi tirado. Isso colocou em risco centenas de milhões de dólares em ajuda bilateral.
Petro procurou mobilizar não só a América Latina para denunciar os ataques, mas também a opinião pública americana. Ele chegou a Nova York para a Assembleia Geral da ONU e participou de manifestações nas ruas da cidade, onde conclamou diretamente os americanos a se oporem a Trump.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, revogou seu visto. Em seguida, sanções pessoais foram anunciadas contra o colombiano e sua família. Na semana passada, os EUA reativaram o visto de Petro até o fim de seu mandato.
Trump já acusou de Petro de ser um "líder do narcotráfico" e o advertiu para "tomar cuidado" se não quisesse que a Colômbia sofresse o mesmo destino da Venezuela. A queda do ditador venezuelano Nicolás Maduro marcou o momento mais delicado dessa relação conturbada. Mas também foi o catalisador para que os dois conversassem, segundo fontes diplomáticas em Washington.
Os dois presidentes se encontraram pessoalmente na Casa Branca no mês passado. Na ocasião, Trump chegou a afirmar que a reunião foi "ótima", mas ressaltou que eles não são "melhores amigos".
Gustavo Petro deixa o cargo em agosto. Já Trump ainda tem três anos de mandato pela frente, com eleições de meio de mandato decisivas nesse período.