SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Irã atacou pelo segundo dia consecutivo neste sábado (21) a cidade de Dimona, no sul de Israel, onde está localizado o centro do programa nuclear israelense e onde, segundo relatos, estão estocadas 90 ogivas atômicas do país. Mísseis iranianos venceram a defesa antiaérea, e ao menos 39 pessoas ficaram feridas.

Um morador filmava da janela de casa o ataque a Dimona quando um míssil caiu e explodiu a poucos metros de onde estava. Com o impacto próximo, começaram a soar os alarmes de carros que estavam estacionados na rua.

O ataque a Dimona ocorreu no mesmo dia em que o Irã lançou mísseis contra a base americana de Diego Garcia, no oceano Índico. Localizada no arquipélago de Chagos, a instalação é uma base britânica utilizada há décadas pelos Estados Unidos. Na ofensiva, o Irã empregou dois projéteis até então desconhecidos no Ocidente, com alcance que pode superar 4.000 km, o dobro do máximo que Teerã havia declarado publicamente.

Três dias antes do início da guerra, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o país possuía mísseis com autonomia máxima de 2.000 km. Diego Garcia fica a cerca de 3.800 km da costa iraniana por mar, e como as bases de lançamento estão no interior do país, o alcance real dos projéteis usados pode ser ainda maior.

Um dos mísseis foi abatido por um destróier americano na região, e o outro caiu no mar. A base britânica usada pelos Estados Unidos era considerada estratégica justamente por estar fora do alcance presumido de Teerã, além de não exigir a travessia de territórios estrangeiros por aviões em rota de ataque ao Irã. Com a nova capacidade demonstrada, esse cálculo pode mudar.

A demonstração de força iraniana reacende o debate sobre a continuidade da guerra e dá argumentos a quem defende o prosseguimento do conflito, que tem no programa de mísseis balísticos de Teerã um de seus principais pretextos.

Os projéteis usados em Diego Garcia são provavelmente versões aprimoradas da família Khorramshahr, cujo modelo 4, com alcance conhecido de 2.000 km, já vinha sendo empregado com munição de fragmentação contra alvos em Israel.

Também neste sábado, Israel bombardeou a central nuclear de Natanz, uma das principais do programa iraniano e alvo declarado da guerra. A Agência Internacional de Energia Atômica informou que não houve contaminação radioativa na região atingida.

Teerã, por sua vez, citou pela primeira vez a possibilidade de agir contra o fluxo comercial no mar Vermelho, incluindo o estratégico estreito de Bab al-Mandab, por onde escoa o petróleo saudita desde que Hormuz foi bloqueado.

No front diplomático, 22 países, a maioria europeus, assinaram neste sábado uma nota condenando os ataques no estreito de Hormuz e se colocando à disposição para ajudar em sua reabertura. Nenhum afirmou estar disposto a enviar navios de guerra.

Na véspera, o presidente americano, Donald Trump, havia chamado seus aliados da Otan de covardes e classificado a aliança de "tigre de papel" sem o poderio militar dos Estados Unidos.