SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-diretor do FBI Robert Mueller morreu na sexta-feira (20), aos 81 anos. Conhecido por sua postura pragmática, ele investigou a interferência da Rússia nas eleições dos Estados Unidos de 2016 e a relação do país europeu com a campanha de Donald Trump, mas optou por não apresentar acusações criminais contra o líder republicano.

A morte foi anunciada neste sábado (21) por diversos veículos e confirmada em nota pela família. "Com profunda tristeza compartilhamos a notícia de que Bob faleceu na noite de sexta-feira", escreveram no comunicado, pedindo respeito à privacidade. O local e a causa da morte não foram divulgados.

Robert Swan Mueller nasceu em Manhattan, em 7 de agosto de 1944. Ele se formou como bacharel em ciência política na Universidade de Princeton, em 1966, e como mestre em relações internacionais pela Universidade de Nova York, em 1967.

Mueller se tornou o sexto diretor do FBI em 4 de setembro de 2001, uma semana antes dos ataques terroristas às torres gêmeas, em 11 de setembro daquele ano. Desde sua posse, ele impôs as mudanças estruturais e culturais mais significativas da história do FBI, buscando transformar a agência em um serviço de inteligência mais eficiente e condizente com o século 21.

Seus agentes foram os primeiros a denunciar os abusos nas prisões secretas que a CIA havia estabelecido após o 11 de Setembro para deter, interrogar e torturar suspeitos de terrorismo.

Quando Mueller deixou o cargo, em junho de 2013, para ser sucedido por James B. Comey, o então presidente, Barack Obama, o elogiou.

"Sob sua supervisão, o FBI uniu forças com nossos profissionais de inteligência, militares e segurança interna para desmantelar células da Al Qaeda, interromper suas atividades e frustrar seus planos", disse em uma cerimônia no Jardim das Rosas na ocasião. "Incontáveis americanos estão vivos hoje, e nosso país está mais seguro por causa do excelente trabalho do FBI sob a liderança de Bob Mueller".

Depois de deixar o órgão de inteligência, Mueller foi convocado para investigar um presidente em exercício, Donald Trump. O Departamento de Justiça o nomeou como promotor especial em maio de 2017, poucos dias depois de Trump demitir Comey do cargo de diretor.

O agente investigava as ligações entre a campanha de Trump e uma operação secreta russa para ajudá-lo a vencer a Casa Branca quando foi demitido.

Na época, as diretrizes do Departamento de Justiça dos EUA já determinavam que um presidente em exercício não poderia ser indiciado, mas os inimigos políticos de Trump esperavam que as investigações de Mueller pudessem ajudar a destituí-lo.

Ele formou uma equipe de promotores federais que, após as investigações, apresentaram acusações contra um grupo de espiões russos e uma estrutura de comando de uma fábrica de "trolls" ?o que hoje se assemelharia a bots? na cidade de São Petersburgo, na Rússia. A agência havia conduzido uma campanha de desinformação na eleição de 2016 sob ordens do Kremlin.

O grupo conseguiu mandar para a prisão Paul Manafort, o primeiro-gerente de campanha de Trump, sob acusações de fraude. Também conseguiram que o general reformado Michael Flynn, primeiro conselheiro de segurança nacional de Trump, confessasse culpa. E fizeram com que Roger Stone, um dos mais antigos conselheiros políticos de Trump, fosse condenado por mentir para investigadores.

Na hora de responsabilizar o presidente por obstrução de Justiça, no entanto, Mueller hesitou, e Trump nunca foi indiciado.

Ao saber da morte do ex-agente, o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comemorou em sua rede social. "Ótimo, estou feliz que ele morreu. Ele não pode mais prejudicar pessoas inocentes!", escreveu na Truth Social.

Mueller foi casado com Ann Cabell Standish, com quem teve duas filhas, Cynthia e Melissa, e três netos.