SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Israel ampliou a sua ofensiva militar no Líbano neste domingo (22), ao atacar a ponte principal que liga a região ao restante do país. A explosão da passagem ocorre após Tel Aviv ordenar que as Forças Armadas destruíssem todas as travessias sobre o rio Litani, no território libanês, e intensificassem a demolição de casas próximas à fronteira sul.
A destruição de pontes e residências marca uma escalada significativa da campanha militar de Israel no Líbano, que foi arrastado para a guerra em 2 de março, quando o grupo armado Hezbollah, aliado de Teerã, lançou ataques contra o Estado judeu.
O ataque deste domingo destruiu uma travessia na rodovia costeira do Líbano, que passava por áreas agrícolas e era uma das principais rotas que ligavam o sul ao centro do país. Um porta-voz militar israelense havia anunciado mais cedo neste domingo que o Exército atacaria a ponte.
Moradores da região relataram fuga às pressas. Lama al-Fares, que vive próximo ao local atingido, disse que sua família colocou no carro tudo o que pôde ao ver o aviso e aguardou o bombardeio a cerca de um quilômetro dali.
"Nossa casa fica bem ao lado da ponte. Ela foi destruída na última guerra e reconstruímos uma estrutura básica para viver. Espero que ainda esteja de pé", disse ela à Reuters.
Mais cedo, um israelense foi morto dentro de seu carro perto da fronteira com o Líbano após o que o Exército descreveu como um "lançamento" a partir do território libanês. Segundo Tel Aviv, foi a primeira morte de um civil israelense ligada a supostos ataques do Hezbollah. Dois soldados israelenses também foram mortos.
Os ataques de Israel ao Líbano já mataram mais de 1.000 pessoas, incluindo quase 120 crianças, 80 mulheres e 40 profissionais de saúde, segundo o Ministério da Saúde libanês. As autoridades do país não fazem distinção entre civis e combatentes nesses números.
O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou neste domingo que os militares receberam ordens para destruir todas as pontes sobre o rio Litani, a fim de impedir que combatentes do Hezbollah e armas se desloquem para o sul.
O Exército israelense já havia destruído três pontes no sul do Líbano nos últimos 10 dias. Katz também disse que os militares foram instruídos a acelerar a demolição de casas libanesas em "vilarejos de linha de frente".
Ele descreveu a abordagem como semelhante ao modelo usado em Beit Hanoun e Rafah, na Faixa de Gaza, onde o Exército criou zonas de segurança ao limpar e demolir edifícios próximos à fronteira.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, condenou neste domingo (22) o bombardeio israelense e afirmou em um comunicado que os ataques contra a infraestrutura constituem "o prelúdio de uma invasão terrestre".
O rio Litani marca o limite da zona tampão em que o Hezbollah não deveria operar segundo o cessar-fogo de 2024 entre os rivais. Com operações terrestres em curso na região, a expectativa é que, na prática, Tel Aviv volte a ocupar a região, como já fez de 1982 a 2000.
O chefe de direitos humanos das Nações Unidas criticou as ações de Israel no Líbano, especialmente o uso de ordens de evacuação.
O pesquisador do Líbano na Human Rights Watch, Ramzi Kaiss, disse à Reuters que o direito internacional exige que as ações militares considerem os danos causados a civis ao atacar infraestrutura como pontes.
"Se todas essas pontes forem destruídas e a região ao sul do Litani ficar isolada do restante do país, o dano aos civis será tão imenso que haverá uma catástrofe humanitária, pois as pessoas que ainda vivem no sul não conseguirão acessar alimentos, medicamentos e outras necessidades básicas", disse Kaiss.
A destruição generalizada de casas no sul do Líbano equivaleria à destruição indiscriminada, o que constitui crime de guerra, acrescentou.
O Exército israelense afirma que suas tropas estão realizando o que descreve como manobras terrestres e operações direcionadas contra combatentes do Hezbollah e depósitos de armas no sul do Líbano. Autoridades israelenses dizem que as ofensivas visam proteger os moradores do norte de Israel.