SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) começaram a ser enviados nesta segunda-feira (23) para os aeroportos dos Estados Unidos. Trump anunciou no sábado (21) que oficiais farão "a segurança como nunca se viu antes" em retaliação após Senado não aprovar o projeto de orçamento do Departamento de Segurança Interna.

Agentes foram vistos no Aeroporto Internacional Newark Liberty, em Nova Jersey, na manhã desta segunda. Uma patrulha de quatro membros percorria os corredores do Terminal C vestindo coletes do ICE. Segundo jornal The New York Times, eles não usavam máscaras e não pareciam estar armados.

Tom Homan, o czar da fronteira da Casa Branca, confirmou no domingo que os agentes estarão presentes em 14 aeroportos. Ele citou os aerportos de Kennedy e LaGuardia em Nova York, Newark, Filadélfia, Chicago, Atlanta, Nova Orleans, Houston e Phoenix.

Presidente dos EUA pediu que agentes não usassem máscaras durante patrulhas nos aeroportos. Trump escreveu que é um grande defensor da proteção da identidade dos oficiais do ICE, mas determinou que durante as fiscalizações nos aeroportos os agentes mostrem os rostos. "Agradeceria imensamente, no entanto, que não usassem máscaras ao ajudarem nosso país a sair da bagunça causada pelos democratas nos aeroportos", publicou.

Trump declarou que agentes do ICE farão "a segurança como nunca se viu antes". O presidente afirmou que os oficiais "vão prender os imigrantes ilegais" que entrarem nos EUA. "Aguardo ansiosamente para ver o ICE em ação em nossos aeroportos", escreveu na sua rede social Truth Social.

Projeto de lei do governo Trump para financiar o Departamento de Segurança Interna não avançou no Senado. Impasse ocorre em meio a crescentes preocupações com as longas filas para passar pela segurança em alguns dos maiores aeroportos do país. Funcionários da TSA (Administração de Segurança de Transportes) estão sem receber salário integral em meio a uma paralisação parcial do governo que já dura 36 dias, enquanto os legisladores divergem sobre os gastos do Departamento de Segurança Interna.

Maioria dos funcionários da TSA é considerada essencial. Eles continuam trabalhando durante a suspensão do financiamento governamental, mas o número de faltas começou a aumentar em alguns aeroportos, resultando em tempos de inspeção mais longos para muitos passageiros.

Os democratas se recusaram a fornecer o apoio necessário para aprovar definitivamente a medida de financiamento. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou que apresentaria uma medida alternativa para financiar apenas a Administração de Segurança de Transportes, responsável pela inspeção de passageiros e bagagens em busca de itens perigosos.

A oposição exige uma série de mudanças políticas como parte de um projeto de lei de financiamento. Um deles é a obrigatoriedade de agentes do ICE obterem um mandado judicial antes de entrarem à força em residências. Eles também buscam exigir que os agentes usem informações de identificação em seus uniformes e proibir o uso de máscaras.

REPUBLICANOS DEFENDEM QUE GOVERNO TEM FEITO MUDANÇAS NO ICE

O líder da maioria no Senado, John Thune, afirmou que vê espaço para acordos. Mas também questionou se os democratas estavam realmente interessados. "Isto é uma praga para todos", disse Thune. "Há pessoas em filas nos aeroportos. Isto precisa ser resolvido. Precisa de ser solucionado e, finalmente, estão a ser feitos esforços de boa-fé em todas as questões relevantes", disse.

No plenário do Senado, Schumer disse concordar que a TSA precisa ser reaberta o mais rápido possível. Mas ressaltou que isso não deve ocorrer nos termos propostos pelos republicanos. Por outro lado, o governo Trump afirma já ter concordado com diversas mudanças, incluindo o uso ampliado de câmeras corporais, com exceção para operações secretas, e a limitação das atividades de fiscalização civil em certos locais sensíveis, como hospitais, escolas e locais de culto.

Os republicanos também citaram que Trump demitiu a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem. Segundo o grupo político, essas ações demonstram a intenção do governo de promover mudanças nas operações do ICE.

O Congresso deve entrar em um recesso prolongado no final do mês, para um feriado de Páscoa de duas semanas. John Thune ameaçou manter os senadores em Washington caso o impasse não seja resolvido. "Não vejo como poderíamos fazer uma pausa se o governo continuar paralisado", advertiu.