SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A Embaixada do Irã no Brasil criticou a rede social X por trocar o emoji da bandeira oficial do país pela versão usada antes da Revolução Islâmica de 1979.
O órgão afirmou que a plataforma realizou a mudança na seção de emojis. A manifestação ocorreu por meio de publicação nas redes sociais, em que também agradeceu aos brasileiros pela "solidariedade com o povo iraniano durante a ação de agressão dos regimes dos Estados Unidos e de Israel".
Governo iraniano chamou a atitude de "completamente antiprofissional". Disse ainda que a direção do X não apresentou qualquer justificativa legal para substituir o logotipo contido no centro da bandeira.
Embaixada fez recomendação para quem queira utilizá-la em contexto digital. Ao invés de optar pela bandeira em si, o Irã recomenda que usem um emoji quadrado verde, um círculo branco e um quadrado vermelho, um seguido do outro.
A bandeira com um leão e sol no meio foi resgatada atualmente pela oposição do país. O símbolo antigo representa uma identidade nacional diferente da do regime atual e se transformou em marca de protestos e atos públicos contra o governo comandado pelo líder supremo.
Em 1979, houve uma alteração no regime do Irã. O movimento religioso fundamentalista liderado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini derrubou o monarca xá Mohammed Reza Pahlavi, que havia transformado a nação, com violência autoritária, num Estado fortemente influenciado pelo Ocidente, sem levar em conta tradições locais e direitos humanos.
A ideia foi interligar religião e política para gerir o país. Para muitos iranianos, Khomeini representava o modelo oposto: uma sociedade guiada por princípios religiosos. Nela também se restauraria a justiça social.
Foi nesta época que a bandeira foi trocada. Embora as listras verde, branca e vermelha tenham sido mantidas, na parte inferior da listra verde e na parte superior da listra vermelha, uma inscrição estilizada em árabe, "All?hu akbar" ("Deus é grande"), foi repetida diversas vezes. O leão também deu lugar a um brasão.
IRÃ VIVE CRISE COM ENDURECIMENTO DA OPOSIÇÃO
Hoje, no entanto, o Irã atravessa um de seus momentos mais críticos desde a Revolução. Em dezembro, explodiram diversas manifestações nas ruas do país, motivadas pela economia, mas que rapidamente evoluíram para um caráter político amplo, com pedidos pelo fim do regime islâmico e ataques diretos ao líder supremo Ali Khamenei
Regime governa com armas, mas perde o coração do povoA repressão estatal aos oposicionistas foi de violência extrema: agências humanitárias estimam mais de 3.000 mortos, enquanto o próprio governo admite um número superior a 2.000 vítimas.