PEQUIM, CHINA (FOLHAPRESS) - A porta-voz do Gabinete de Assuntos de Taiwan do governo chinês, Zhu Fenglian, afirmou que Pequim jamais renunciará ao uso da força para alcançar a reunificação da China continental e de Taiwan.
Zhu declarou que o principal objetivo do país asiático é atingir essa meta de forma pacífica, mas que, caso não seja possível, é reservado "o direito de tomar todas as medidas necessárias".
"Taiwan é Taiwan da China. A resolução da questão de Taiwan é uma questão que cabe ao próprio povo chinês e não admite interferência externa", disse em entrevista coletiva nesta quarta-feira (25).
A porta-voz respondia a uma pergunta que citava um trecho do relatório da inteligência dos Estados Unidos segundo o qual Pequim não pretende invadir Taiwan em 2027. O documento, publicado na semana passada, afirma que a nação asiática também não tem um cronograma fixo para alcançar a reunificação e deve preferir a via pacífica.
A nova previsão de Washington vai na contramão de avaliações anteriores dos próprios americanos e da análise de especialistas, que afirmam que o próximo ano pode ser o prazo estipulado por Pequim, uma vez que o país vem fortalecendo seu Exército e seu arsenal, e que 2027 é o centenário do Exército de Libertação Popular, como são chamadas as Forças Armadas no país.
"Reunificação pacífica e 'um país, dois sistemas' é a nossa política fundamental para a resolução da questão de Taiwan", declarou Zhu. "Estamos dispostos a criar amplo espaço para a reunificação pacífica e a lutar por sua concretização com a máxima sinceridade e empenho."
Quando o relatório da inteligência americana foi divulgado, Pequim respondeu, por meio do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, que a questão é um assunto interno do país, no qual não admite interferência externa.
"Instituições e indivíduos relevantes dos EUA devem abandonar preconceitos ideológicos e a mentalidade de Guerra Fria e de soma zero, corrigir sua percepção sobre a China e parar de propagar a chamada 'teoria da ameaça chinesa'", declarou em entrevista coletiva na semana passada.
Pequim oferece a Taipé um sistema em que a ilha ficaria sob domínio chinês, mas com outra forma de liderança local, nos moldes do que acontece com territórios como Hong Kong e Macau. As autoridades taiwanesas, no entanto, rechaçam qualquer tentativa de reunificação. A China continental considera Taiwan, que tem um presidente democraticamente eleito, parte de seu território.