SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Israel indicou que pretende assumir o controle de uma faixa do sul do Líbano para estabelecer uma "zona-tampão" contra o Hezbollah.
A proposta foi detalhada pelo ministro da Defesa israelense, Israel Katz. Ele afirmou que tropas israelenses devem controlar áreas próximas ao rio Litani, cerca de 30 km ao norte da fronteira entre os dois países.
Segundo ele, pontes estratégicas na região já foram destruídas. "O exército controlará as pontes restantes e a zona de segurança até o Litani", afirmou Katz durante reunião com chefes militares. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reforçou a estratégia ao dizer que Israel está ampliando a área de segurança para proteger comunidades israelenses próximas à fronteira.
"Estamos simplesmente criando uma zona-tampão maior", disse Benjamin Netanyahu.
No campo das relações internacionais, zona-tampão, ou buffer zone, é um território criado para separar forças hostis e reduzir o risco de confrontos diretos. Essas áreas podem surgir por acordo entre países, por decisão internacional ou até por imposição unilateral de um Estado.
Em termos gerais, trata-se de uma faixa territorial onde forças militares são limitadas ou excluídas, criando uma espécie de colchão de segurança entre adversários. Estudos acadêmicos indicam que essas áreas costumam envolver algum grau de limitação de soberania do território onde são instaladas.
"Zonas-tampão surgem quando um Estado renuncia, voluntária ou involuntariamente, a aspectos de sua autonomia territorial sob pressão externa ou intervenção humanitária", diz análise publicada na University of Chicago Law Review.
A mesma análise aponta que o objetivo dessas áreas é criar distância entre forças rivais. Como resume o estudo, elas funcionam como "uma camada de amortecimento entre Estados hostis". Na prática, as zonas-tampão podem assumir diferentes formatos.
Algumas são desmilitarizadas, onde tropas não podem operar. Outras são zonas de exclusão, onde o acesso de pessoas é proibido. Também existem áreas com caráter humanitário, destinadas a proteger civis durante guerras. Exemplos conhecidos incluem a zona desmilitarizada entre Coreia do Norte e Coreia do Sul, a área controlada pela ONU em Chipre e regiões de separação militar no Sinai.
Autoridades israelenses afirmam que a zona-tampão seria necessária para impedir ataques contra comunidades no norte do país. Segundo o ministro Israel Katz, a estratégia busca "criar um espaço defensivo e manter a ameaça distante". Muitos moradores israelenses voltaram recentemente às cidades próximas da fronteira após o cessar-fogo de 2024. Entretanto, durante mais de um ano tiveram de abandonar suas casas por causa dos foguetes disparados pelo Hezbollah.
O plano prevê que tropas israelenses controlem áreas próximas ao rio Litani, cerca de 30 km ao norte da fronteira. Segundo Katz, pontes estratégicas na região foram destruídas durante operações recentes. "O exército controlará as pontes restantes e a zona de segurança até o Litani", afirmou.
A iniciativa surge em meio a uma escalada recente no confronto entre Israel e o Hezbollah, grupo armado libanês apoiado pelo Irã. Nas últimas semanas, foguetes disparados do território libanês atingiram o norte de Israel, enquanto o Exército israelense respondeu com bombardeios intensos e incursões terrestres limitadas no sul do Líbano. Segundo o Ministério da Saúde libanês, mais de mil pessoas morreram e mais de 1 milhão foram deslocadas desde a intensificação dos combates.
O Hezbollah afirma que vai reagir caso Israel tente ocupar permanentemente a região. Um dos líderes do grupo, Hassan Fadlallah, classificou a possibilidade como "uma ameaça existencial", segundo a Reuters.
A possibilidade de uma nova zona-tampão revive um histórico de intervenções israelenses no território libanês. Israel invadiu o sul do Líbano pela primeira vez em 1978, criando uma área de ocupação militar contra guerrilhas palestinas. Em 1982, tropas israelenses avançaram até Beirute.
A ocupação do sul do país durou 22 anos, até a retirada israelense em 2000, após ataques contínuos do Hezbollah. Desde então, a região segue sendo um dos pontos mais tensos do Oriente Médio.
A criação de uma zona-tampão no sul do Líbano também levanta dúvidas sobre quanto tempo as tropas israelenses permaneceriam no território. O ministro da Defesa de Israel indicou que os militares devem manter controle da área "enquanto houver terrorismo e mísseis", segundo declarações citadas pela Reuters.