BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Autoridade militar e líder da oposição ao governo de Binyamin Netanyahu em Israel soaram alarmes nesta quinta-feira (26) sobre possíveis problemas de falta de tropas suficientes para as várias frentes de guerra abertas por Tel Aviv.
De acordo com a emissora israelense Canal 13, o chefe do Exército do país, Eyal Zamir, afirmou em reunião de gabinete que o país precisava de novas leis de mobilização e a extensão do serviço militar obrigatório.
Ainda segundo o canal, Zamir teria dito que estava levantando "dez bandeiras vermelhas" para os membros do governo sobre os riscos de que, sem essas mudanças, o Exército, mesmo com seu sistema de reservistas, não aguentaria o cenário atual.
Não é a primeira vez que o general fala em termos semelhantes. Em janeiro, mesmo antes da guerra atual contra o Irã e o reativamento do conflito no Líbano, Zamir já havia enviado carta ao primeiro-ministro com alertas semelhantes.
Em público, no entanto, a pressão sobre o tema contra o governo de Netanyahu vem da oposição. Yair Lapid, ex-premiê e um dos principais líderes opositores, afirmou que o Exército está sendo empurrado para além de seus limites e acusou o governo de ter iniciado uma guerra em múltiplas frentes "sem uma estratégia".
Em um discurso televisionado, Lapid afirmou que "o governo deixa o Exército ferido no campo de batalha".
Desde o início do conflito contra o Hamas na Faixa de Gaza, líderes militares têm dito a parlamentares que faltam cerca de 12 mil soldados às Forças.
Após cerca de dois anos do conflito no território palestino, Forças Armadas de Israel voltaram a participar de um conflito em alta intensidade com os ataques ao Irã, coordenados com os Estados Unidos.
Logo em seguida à reação iraniana, o grupo xiita libanês Hezbollah, aliado de Teerã, voltou a atacar território de Israel, que também retomou a intensidade de ataques ao vizinho árabe e lançou novamente tropas ao terreno, dizendo abertamente que pretende ocupar o sul do Líbano, como já fez outras vezes no passado.
O cenário cria dificuldades mais profundas para as Forças, o que não implica apenas soldados no terreno, mas articulação logística e aumento de contingentes de defesa no país, entre outros desafios.
A questão da mobilização militar em Israel é um tema espinhoso para Netanyahu. Parte de sua coalizão de governo é composta por partidos representantes de judeus ultraortodoxos, que resistem a mudanças na legislação para permitir sua convocação para o serviço militar ?hoje, os ultraortodoxos são isentos.
Em junho de 2024, a Suprema Corte de Israel decidiu que não havia base legal para o veto à obrigatoriedade de serviço militar para os ultraortodoxos. A questão, no entanto, não sai do papel ante a pressão do grupo ao governo do premiê, o mais à direita da história do Estado judeu.