BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Pentágono avalia enviar mais 10 mil soldados ao Oriente Médio, segundo o jornal The Wall Street Journal, citando autoridades de Defesa dos Estados Unidos. Se confirmada a medida, o contingente mais que dobraria as 7.000 tropas anunciadas ou ainda examinadas pelo governo de Donald Trump para o deslocamento.
Uma decisão do tipo ocorreria em meio a mais um recuo feito por Trump de ameaças feitas ao regime em Teerã. Nesta quinta-feira (26), o republicano anunciou uma moratória de ataques à infraestrutura de energia do Irã, algo que ele tinha prometido como ultimato em negociações que, até o meio desta semana, a República Islâmica negava existir.
Como de costume com o governo Trump, há muita nebulosidade a respeito das reais intenções de Washington, mas o contingente, somado ao que já está nas bases regionais e navios deslocados para a região, sugere que a pressão pode se transformar de fato em ação.
A mais esperada delas é a tentativa de tomada da ilha de Kharg, território iraniano no golfo Pérsico pelo qual passa cerca de 90% da produção de petroleo do país persa. Invadir o local, no entanto, deixaria as tropas muito expostas a fogo do rival -e o limite político de muitas mortes americanas em uma operação arriscada como essa pode impedir Trump de ir às vias de fato também por terra.
A mobilização, ainda que grande, não chega perto da realizada pelos EUA e aliados durante a invasão do Iraque no início do século, quando cerca de 300 mil soldados participaram da operação.
Nesta quinta, Trump anunciou a moratória aos ataques à infraestrutura energética do Irã, como é usual, na rede Truth Social. Segundo ele, "ao contrário do que diz a mídia das fake news", as conversas com o Irã "vão muito bem".
Inicialmente, Teerã havia negado e tratado de forma jocosa as afirmações de Trump sobre as negociações. Mais tarde, o chanceler do país persa afirmou estar revisando as propostas, enviadas através de mediadores como o Paquistão.
No último dia 19, o presidente americano afirmou que "não vai enviar soldados para lugar algum", mas que, se fosse, não comunicaria à imprensa. Trump, no entanto, eventualmente volta a não descartar essa possibilidade, como em entrevista ao New York Post. "Eu não fico com medo de enviar tropas terrestres -tipo, como todo presidente diz: 'Não haverá tropas no solo.' Eu não digo isso. Eu digo 'provavelmente não precisamos delas' ou 'se elas fossem necessárias'".
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