SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, acusou nesta sexta (27) os Estados Unidos de terem realizado um "ataque calculado" contra uma escola primária no sul do país no primeiro dia da guerra no Oriente Médio. A declaração foi feita durante uma sessão urgente do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra.
Segundo o chanceler, mais de 175 estudantes e professores morreram no bombardeio à escola Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab, em 28 de fevereiro. Em discurso por vídeo, Araghchi classificou a ação de "um crime de guerra e um crime contra a humanidade" e afirmou que o episódio exige "condenação inequívoca" e responsabilização dos autores.
O chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk, também se pronunciou no encontro e descreveu o ataque como um episódio que provocou "horror profundo". Ele disse que os responsáveis devem conduzir uma investigação "rápida, imparcial, transparente e exaustiva", com divulgação pública dos resultados.
O bombardeio ocorreu no mesmo dia em que Estados Unidos e Israel iniciaram uma ofensiva contra o Irã, que respondeu com ataques a alvos em Israel e em países do Golfo. De acordo com conclusões preliminares de uma investigação militar americana, o míssil de cruzeiro Tomahawk que atingiu a escola teria sido lançado por engano devido ao uso de dados desatualizados de localização. O alvo pretendido seria uma base iraniana adjacente ao prédio, que anteriormente integrava a instalação militar.
Apesar dessa versão inicial, Araghchi rejeitou a hipótese de erro. Segundo ele, considerando o nível tecnológico das forças americanas e israelenses, "ninguém pode acreditar" que o ataque tenha sido acidental. "Foi deliberado e intencional", afirmou.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a sugerir inicialmente que o próprio Irã poderia ser responsável pelo episódio, embora o país persa não possua mísseis do tipo Tomahawk.
"Nenhuma mãe está preparada para ouvir: ?Seu filho não vai voltar?", disse durante a sessão Mohaddeseh Falahat, mãe de duas crianças mortas no ataque. Ela pediu que a tragédia não seja esquecida.
O debate desta sexta foi convocado a pedido de Irã, China e Cuba e marcou a segunda sessão urgente da semana sobre a guerra no Oriente Médio no Conselho de Direitos Humanos, composto por 47 países.
Na quarta-feira, outro encontro, solicitado por Bahrein em nome do Conselho de Cooperação do Golfo e pela Jordânia, tratou dos ataques iranianos contra países da região e seus impactos sobre civis. Ao final, o conselho aprovou por consenso uma resolução que condena as ações do Irã contra seus vizinhos e pede reparações às vítimas. O texto, contudo, deverá ter pouco efeito prático.
Diferentemente da sessão anterior, não houve apresentação de projeto de resolução ao término do debate desta sexta. A agência AFP informou que não conseguiu verificar de forma independente o número de vítimas nem as circunstâncias do ataque.