SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O líder de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta sexta-feira (27) que está preocupado após o desaparecimento de dois veleiros que estavam a caminho da ilha para levar ajuda humanitária. As embarcações zarparam de Isla Mujeres, no México, há uma semana, mas não chegaram a Havana como previsto.

"De nosso país, fazemos todo o possível na busca e salvamento desses irmãos de luta", afirmou Díaz-Canel em sua conta no X. A Marinha do México informou na quinta-feira (26) que deflagrou uma operação para localizar os barcos, tripulados por nove pessoas de diferentes nacionalidades.

As embarcações eram esperadas para atracar em Cuba entre terça (24) e quarta (25), mas não houve comunicação por parte delas nem confirmação de sua chegada, disse ainda a Marinha.

Os veleiros fazem parte da flotilha Nuestra América Convoy, que reúne organizações sociais de diferentes países para ajudar a ilha diante do agravamento da crise humanitária e energética. Voluntários no México abasteceram embarcações na semana passada com arroz, lenços umedecidos para bebês, feijão, fórmula infantil, medicamentos e outros suprimentos.

"Os capitães e as tripulações são marinheiros experientes, e ambas as embarcações estão equipadas com sistemas de segurança e equipamentos de sinalização adequados", disse um porta-voz da iniciativa em comunicado à Reuters.

"Estamos cooperando plenamente com as autoridades e continuamos confiantes na capacidade das tripulações de chegar a Havana com segurança."

Cuba não recebe combustíveis há três meses por causa do bloqueio imposto por Donald Trump, segundo revelou Díaz-Canel. A ilha tem convivido com apagões de até 20 horas diárias, hotéis fechados, voos cancelados e suspensão de coleta de lixo. Na capital, a falta de combustível já compromete serviços básicos.

O bombeamento e a distribuição de água foram interrompidos na semana passada em alguns pontos, deixando moradores com acesso limitado ao recurso. O regime cubano negocia com os EUA uma forma de encerrar o bloqueio.