SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Guarda Costeira dos Estados Unidos recuou e informou na tarde desta sexta-feira (27) que os dois veleiros que sumiram no mar a caminho de Cuba para levar ajuda humanitária continuam desaparecidos.
Nesta sexta, em comunicado à agência de notícias AFP, um porta-voz da guarda afirmou que os barcos haviam chegado a Cuba em segurança. Depois, o órgão voltou atrás e disse ter fornecido uma informação incorreta.
"A Guarda Costeira dos Estados Unidos recebeu um relatório hoje, às 10h36 (11h36 em Brasília), informando que as duas embarcações chegaram a Cuba em segurança", havia dito o porta-voz Anthony Randisi pela manhã.
As embarcações zarparam de Isla Mujeres, no México, há uma semana. A previsão era de que elas chegassem entre terça (24) e quarta (25), o que não ocorreu. A Marinha do México informou na quinta-feira (26) que deflagrou uma operação para localizar os barcos, tripulados por nove pessoas de diferentes nacionalidades.
Mais cedo nesta sexta, o líder de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que estava preocupado após os veleiros não terem chegado a Havana como previsto.
"De nosso país, fazemos todo o possível na busca e salvamento desses irmãos de luta", afirmou Díaz-Canel em sua conta no X.
Os veleiros fazem parte da flotilha Nuestra América Convoy, que reúne organizações sociais de diferentes países para ajudar a ilha diante do agravamento da crise humanitária e energética. Voluntários no México abasteceram embarcações na semana passada com arroz, lenços umedecidos para bebês, feijão, fórmula infantil, medicamentos e outros suprimentos.
"Os capitães e as tripulações são marinheiros experientes, e ambas as embarcações estão equipadas com sistemas de segurança e equipamentos de sinalização adequados", disse um porta-voz da iniciativa em comunicado à Reuters.
"Estamos cooperando plenamente com as autoridades e continuamos confiantes na capacidade das tripulações de chegar a Havana com segurança."
Cuba não recebe combustíveis há três meses por causa do bloqueio imposto por Donald Trump, segundo revelou Díaz-Canel. A ilha tem convivido com apagões de até 20 horas diárias, hotéis fechados, voos cancelados e suspensão de coleta de lixo. Na capital, a falta de combustível já compromete serviços básicos.
O bombeamento e a distribuição de água foram interrompidos na semana passada em alguns pontos, deixando moradores com acesso limitado ao recurso. O regime cubano negocia com os EUA uma forma de encerrar o bloqueio.